A diplomacia francesa assume sem nenhum embaraço o "droit d'ingerence", direito de intervir militarmente quando se consideram violados principios fundamentais dos direitos humanos. O chanceler Bernard Kouchner - que ja havia aprovado a guerra do Iraque contrariamente à grande maioria dos franceses - afirma a necessidade de se ativar a clausula que permite a interferência as forças internacionais.
O problema é que estes principios e direitos "violados" podem ser refutados sem dificuldade, se considerados sob oticas que obedecem à diferentes culturas. Por exemplo, é certo que algumas praticas das nações islamistas chocam a sensibilidade ocidental, mas é certo que tambem os excessos de nossa cultura podem ser refutados pelas culturas orientais, islâmicas, africanas, como a promoção da pornografia, dos jogos e da prostituição, mas tambem as desigualdades sociais e a mercantilização dos bens essenciais.
O fato é que esse direito de ingerência é decidido segundo os interesses dos paises mais ricos, os mesmos que dividiram a Africa no pos-guerra e provocaram a ruina das culturas tribais para extrair riquezas e construir grandes cidades. Esses mesmos paises ricos venderam e continuam vendendo bilhões de dolares em armas aos paises africanos, criando conflitos regionais interminaveis entre exércitos oficiais e rebeldes armados, etnias separatismas, minorias religiosas.
O caso do Iraque, que o chanceler francês conhece bem, é apenas um exemplo entre muitos. As potências mundiais - em nome do desenvolvimento e do progresso - financiam e colocam ditadores aliados no poder, que compram tecnologia, serviços, equipamentos e armas. Depois quando cresce a insatisfação e a revolta popular, decidem que não estão mais satisfeitos e assim financia-se novamente a guerrilha para provocar a mudança de regime. Ou como no caso do Iraque bombardeando unilateralmente nações inteiras, incapazes de resistir diante de tal desproporção de forças.
Continuamos, novamente, a seguir a mesma logica explosiva com a Guerra do Libano, com o acirramento do conflito palestino, com a atual ocupação do Chade, com a corrida armamentista que atinge até os paises sulamericanos. Tudo em nome dos direitos humanos.
lundi 3 mars 2008
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