A diplomacia francesa assume sem nenhum embaraço o "droit d'ingerence", direito de intervir militarmente quando se consideram violados principios fundamentais dos direitos humanos. O chanceler Bernard Kouchner - que ja havia aprovado a guerra do Iraque contrariamente à grande maioria dos franceses - afirma a necessidade de se ativar a clausula que permite a interferência as forças internacionais.
O problema é que estes principios e direitos "violados" podem ser refutados sem dificuldade, se considerados sob oticas que obedecem à diferentes culturas. Por exemplo, é certo que algumas praticas das nações islamistas chocam a sensibilidade ocidental, mas é certo que tambem os excessos de nossa cultura podem ser refutados pelas culturas orientais, islâmicas, africanas, como a promoção da pornografia, dos jogos e da prostituição, mas tambem as desigualdades sociais e a mercantilização dos bens essenciais.
O fato é que esse direito de ingerência é decidido segundo os interesses dos paises mais ricos, os mesmos que dividiram a Africa no pos-guerra e provocaram a ruina das culturas tribais para extrair riquezas e construir grandes cidades. Esses mesmos paises ricos venderam e continuam vendendo bilhões de dolares em armas aos paises africanos, criando conflitos regionais interminaveis entre exércitos oficiais e rebeldes armados, etnias separatismas, minorias religiosas.
O caso do Iraque, que o chanceler francês conhece bem, é apenas um exemplo entre muitos. As potências mundiais - em nome do desenvolvimento e do progresso - financiam e colocam ditadores aliados no poder, que compram tecnologia, serviços, equipamentos e armas. Depois quando cresce a insatisfação e a revolta popular, decidem que não estão mais satisfeitos e assim financia-se novamente a guerrilha para provocar a mudança de regime. Ou como no caso do Iraque bombardeando unilateralmente nações inteiras, incapazes de resistir diante de tal desproporção de forças.
Continuamos, novamente, a seguir a mesma logica explosiva com a Guerra do Libano, com o acirramento do conflito palestino, com a atual ocupação do Chade, com a corrida armamentista que atinge até os paises sulamericanos. Tudo em nome dos direitos humanos.
lundi 3 mars 2008
jeudi 28 février 2008
Para onde vai a riqueza?
Apesar dos crescentes sinais de alerta em relaçao à volatilidade e à irracionalidade dos mercados financeiros, a agenda pos-industrial do seculo XXI deve evitar a tentação de festejar o declinio do capitalismo; Mas pensar a crise atual como uma erosão progressiva de todo um paradigma de nossa civilização industrial de matriz urbana, da qual alias fazem parte tambem os regimes de inspiração marxistas.
Galeano nos lembra que ha pelo penos cinco séculos os regimes dominantes nos países europeus - hoje chamado neoliberais, outrora republicanos e monarquicos - se esmeram em conquistar territorios e tesouros nos outros continentes, subjugando suas populações e colonizando suas terras para extrair riquezas. As potências coloniais forjaram as filosofias republicanas e capitalistas ao mesmo tempo em que massacravam africanos, hindus, aztecas, incas e guaranis;
“No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos Bourbons, Felipe V estreou o trono assinando um contrato com seu primo, o rei da França, para que a compagnie de Guinée vendesse negros na America. Cada monarca ficava com 25% dos lucros.”
Um seculo depois a filosofia das luzes e do espirito europeu acompanhava o imperador frances em sua insensata tarefa de conquistar o mundo. Hegel testemunhou a passagem de Napoleão na Alemanha, e escreve no fabuloso prefacio de sua Fenomenologia do Espirito: “o espirito do absoluto do nosso tempo passou sob minha janela.”
No século XX o regime nazista floresceu como resposta violenta e racista à perda de poder economico que resultou da crise de 1929; A europa precisava de uma nova saida e para esta tarefa não faltaram admiradores e pensadores:
“ A Fundação Rockfeller financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi. A Coca Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possivel a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala dos cartões perfurados.” (E. Galeano)
De Hernan Cortez a Hitler, de Pizarro a Franco, passando por Napoleao, pela Rainha Vitoria, por Stalin e Mussolini, a lista é longa e está longe de ser prioridade de um ou outro regime politico. Face a uma abundancia de testemunhos historicos, podemos dificilmente contestar que o consumo das potências europeias e de seus colonos drenava e continua drenando grande parte da riqueza do planeta produzida pelos povos ditos “indigenas”.
Hoje com certeza estas potencias coloniais evoluiram, mas seus privilegios e os mercados oriundos do periodo colonial foram recuperados pelas suas grandes empresas, que continuam explorando ouro, petroleo, diamantes, minerais, cereais, e vendendo armas, tratores, remedios, industrias e produtos enlatados. No curso do século XX, às exploraçoes historicas de materias primas vieram acrescentar-se os novos mercados oriundos do progreso tecnologico e do desenvolvimento de serviços: telecomunicaçoes, infraestrutura, energia, alta tecnologia.
É justamente este “equilibrio” que se encontra ameaçado com o crescimento das economias dos paises do sul, que não somente cresceram mas mudaram radicalmente de posicionamento em relação aos paises do G8, revindicando mais espaço na ONU, bloqueando as negociações da OMC e criando novos eixos de cooperaçao entre os paises do sul.
Galeano nos lembra que ha pelo penos cinco séculos os regimes dominantes nos países europeus - hoje chamado neoliberais, outrora republicanos e monarquicos - se esmeram em conquistar territorios e tesouros nos outros continentes, subjugando suas populações e colonizando suas terras para extrair riquezas. As potências coloniais forjaram as filosofias republicanas e capitalistas ao mesmo tempo em que massacravam africanos, hindus, aztecas, incas e guaranis;
“No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos Bourbons, Felipe V estreou o trono assinando um contrato com seu primo, o rei da França, para que a compagnie de Guinée vendesse negros na America. Cada monarca ficava com 25% dos lucros.”
Um seculo depois a filosofia das luzes e do espirito europeu acompanhava o imperador frances em sua insensata tarefa de conquistar o mundo. Hegel testemunhou a passagem de Napoleão na Alemanha, e escreve no fabuloso prefacio de sua Fenomenologia do Espirito: “o espirito do absoluto do nosso tempo passou sob minha janela.”
No século XX o regime nazista floresceu como resposta violenta e racista à perda de poder economico que resultou da crise de 1929; A europa precisava de uma nova saida e para esta tarefa não faltaram admiradores e pensadores:
“ A Fundação Rockfeller financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi. A Coca Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possivel a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala dos cartões perfurados.” (E. Galeano)
De Hernan Cortez a Hitler, de Pizarro a Franco, passando por Napoleao, pela Rainha Vitoria, por Stalin e Mussolini, a lista é longa e está longe de ser prioridade de um ou outro regime politico. Face a uma abundancia de testemunhos historicos, podemos dificilmente contestar que o consumo das potências europeias e de seus colonos drenava e continua drenando grande parte da riqueza do planeta produzida pelos povos ditos “indigenas”.
Hoje com certeza estas potencias coloniais evoluiram, mas seus privilegios e os mercados oriundos do periodo colonial foram recuperados pelas suas grandes empresas, que continuam explorando ouro, petroleo, diamantes, minerais, cereais, e vendendo armas, tratores, remedios, industrias e produtos enlatados. No curso do século XX, às exploraçoes historicas de materias primas vieram acrescentar-se os novos mercados oriundos do progreso tecnologico e do desenvolvimento de serviços: telecomunicaçoes, infraestrutura, energia, alta tecnologia.
É justamente este “equilibrio” que se encontra ameaçado com o crescimento das economias dos paises do sul, que não somente cresceram mas mudaram radicalmente de posicionamento em relação aos paises do G8, revindicando mais espaço na ONU, bloqueando as negociações da OMC e criando novos eixos de cooperaçao entre os paises do sul.
Retorno do estado forte na cena econômica mundial
No plano econômico, o ano de 2008 se inicia marcado pela ameaça de generalização da crise no setor de crédito; Através da quebra do setor do crédito imobiliario tivemos neste ano que passou grandes momentos para compreender algumas novas direções que devem persistir na economia mundial. Grandes bancos europeus ameaçados de falencia abrem o capital para fundos de estado dos paises do golfo, como o banco UBS que foi capitalizado pelo estado de Singapura em quase 10 bilhoes de dolares, o que torna o estado segundo acionista do gigante suiço; O Citibank pede socorro de quase 10 bilhoes de dolares ao emirado de Abou Dabhi, que torna-se proprietario de mais de 5% do maior banco mundial; Os bancos centrais da Inglaterra e dos Estados Unidos sairam em defesa de seus bancos, injetando dinheiro fresco para evitar uma quebra generalizada da confiança no crédito imobiliario. Et voila, quem poderia prever ha alguns anos que os maiores atores da economia mundial apelariam novamente para o bom e velho dinheiro publico...e que a alta dos preços nas materias primas iria elevar os paises emergentes e as monarquias do golfo – quase todos regimes nacionalistas - a concentrarem a maior parte das reservas de câmbio do planeta. São pistas para compreender este novo século que traz a consolidação de um mundo multipolar, onde os paises do sul revindicam o estatuto de potencias internacionais e pedem espaço nas instituições internacionais;
samedi 23 février 2008
Milano, Rede Europeia da Agua
Volto de Milano; Três dias de trabalho com redes europeias para a questão da agua, na sede de Punto Rosso, asociação vinculada ao PCI; Milano é uma cidade sem charme, mas com um belissimo centro historico. (A catedral do "Duomo" é sem duvida uma das mais incriveis obras do gotico europeu;)
Explosão na "sinistra" italiana: Os verdes, os comunistas do PCI e os da "rifundazioni" recusam a aliança com Veltroni, novo lider da esquerda social-democrata, demasiado personalista. O problema é que ele não vai ter força para amaeçar Berlusconi, e deveremos contar com mais um mandato do "Cavaliere", triunfo do empresariado italiano;
Explosão na "sinistra" italiana: Os verdes, os comunistas do PCI e os da "rifundazioni" recusam a aliança com Veltroni, novo lider da esquerda social-democrata, demasiado personalista. O problema é que ele não vai ter força para amaeçar Berlusconi, e deveremos contar com mais um mandato do "Cavaliere", triunfo do empresariado italiano;
2008: Fim de Férias, submarino nuclear na Amazonia
Fim de ferias para o Blog;
Triste o silêncio da imprensa brasileira sobre o negocio de ouro que esta promovendo o omnipresidente francês no Brasil : submarinos nucleares sendo fabricado no Amapa, e compra de aviões Rafale (que até hoje ninguem comprou, nem o Kadafhi que disse que ia comprar );
Evidente a ofensiva da realpolitik francesa: Veolia ( agua, lixo ) Areva ( Nuclear ), Alstom ( trem bala ), agora Dassault ( aviões )... Militarização, privatizações da agua e do lixo, usinas nuleares;
Bravo; Vive l'année de la France;
Triste o silêncio da imprensa brasileira sobre o negocio de ouro que esta promovendo o omnipresidente francês no Brasil : submarinos nucleares sendo fabricado no Amapa, e compra de aviões Rafale (que até hoje ninguem comprou, nem o Kadafhi que disse que ia comprar );
Evidente a ofensiva da realpolitik francesa: Veolia ( agua, lixo ) Areva ( Nuclear ), Alstom ( trem bala ), agora Dassault ( aviões )... Militarização, privatizações da agua e do lixo, usinas nuleares;
Bravo; Vive l'année de la France;
lundi 10 décembre 2007
Kadafi faz compras em Paris
No dia em que se comemora a declaração dos direitos humanos, o governo Francês recebe em Paris o Coronel Mouamar Kadafi, soberano da Libia ha quase 40 anos, ditador acusado de diversos crimes e que ha mais de vinte anos não era recebido por um chefe de estado europeu.
O imperador do petroleo africano acertou sua viagem depois da mediatizada liberação das enfermeiras bulgaras, ato de conquista humanitario que Sarkozy conseguiu junto à Kadafi. Mas a razão da boa acolhida do chefe de estado libio deve-se tambem por interesse de alguns...clientes do apetite comercial do coronel; Airbus deve vender mais de vinte aviões, Areva vai descolar a compra de uma usina nuclear e Lagardere varios armementos militares. Parece que Kadafi sera o papai noel do ano para Dassault, comprando até o seu avião Rafale, caro e sofisticado e que até hoje esta esperando comprador.
Depois do alinhamento com o governo Bush, do silêncio sobre direitos humanos e sobre o Tibet na China, o que ja tinha lhe valido criticas, Sarkozy reafirma sua diplomacia dos negocios, para grande alegria do empresariado francês.
O imperador do petroleo africano acertou sua viagem depois da mediatizada liberação das enfermeiras bulgaras, ato de conquista humanitario que Sarkozy conseguiu junto à Kadafi. Mas a razão da boa acolhida do chefe de estado libio deve-se tambem por interesse de alguns...clientes do apetite comercial do coronel; Airbus deve vender mais de vinte aviões, Areva vai descolar a compra de uma usina nuclear e Lagardere varios armementos militares. Parece que Kadafi sera o papai noel do ano para Dassault, comprando até o seu avião Rafale, caro e sofisticado e que até hoje esta esperando comprador.
Depois do alinhamento com o governo Bush, do silêncio sobre direitos humanos e sobre o Tibet na China, o que ja tinha lhe valido criticas, Sarkozy reafirma sua diplomacia dos negocios, para grande alegria do empresariado francês.
Governos e sociedade ecologica: paradoxos
Entre os governos e a sociedade Civil, um verdadeiro impasse cada vez mais dificil em relação à questão ecologica. Governos conservadores, com o de Greoge Bush, liberais, como o Inglês ou o Mexicano, mas tambem nacionalistas-liberais como o de Poutine, ou de esquerda, como Lula e Rafael Correa no Equador; Hoje todos sofrem crescentes pressões por seu passivo ambiental; O crescimento econômico - considerado essencial para a questão social - ameaça por outro lado suas florestas, terras, rios e nascentes, trazendo novos riscos e custos sociais. Os movimentos sociais em geral organisam-se para evitar o pior e tentar impor criterios locais, ligados à territorialidade, sobretudo em projetos de grandes impacto como minas, barragens, grandes monoculturas.
Por outro lado os governos argumentam que não podem ficar fora do terrivel jogo global da economia e geopolitica da sociedade do seculo XXI; Se o Brasil ja é um ator considerado importante no cenario internacional, não é pelo seu PIB atual, mas pelas projeções de sua economia daqui a vinte anos. Os dados ja foram lançados, e os setores estratégicos da economia que difinirão o futuro do século - como energia, agua, alimentação, agricultura, sementes, informação e comunicação - estão sofrendo disputas sem precedentes e devem "consolidar-se" nos proximos dez anos; quer dizer grandes monopolios setoriais, dividos entre os paises que competem no jogo global;
Os grandes negocios das empresas realmente importantes hoje são fechados em pessoa pelos chefes de estado; O estilo Sarko não é uma novidade, mas somente uma caricatura do presidente-vendedor das empresas nacionais, onde a politica exterior é guiada explicitamente pelas vendas de aviões, armas, usinas nucleares, barragens e TGVs; Isto é claro torna-se um problema quando as empresas ja não são do estado mas privadas; O voluntarismo comercial dos chefes de estado acaba esfacelando o limite entre o publico e o privado, que novamente não é mais considerado necessario diante da urgencia da corrida empresarial; Nosso mundo esta ameaçado pelo hiperconsumo destes mesmos recursos que alimentam a corrida nas bolsas de valores e mercados financeiros.
Neste contexto a sociedade civil organisada naturalmente coloca-se como defensor de seus recursos naturais em relação aos grande projetos de infraestrutura, muitas vezes suscitando reações e oposições violentas do estado, como na Russia, Lybia, China e outros paises que estão longe de respeitar as regras basicas da democracia. A voz do cidadão não é frequentemente ouvida ; Hoje, em um contexto de cada vez maior concentração de poder, os governos devem reconhecer a participação dos movimentos sociais e organizações locais como parte da luta pelos direitos humanos, e não tentar aniquila-los ou ignora-los.
Mas da parte da sociedade civil, a verdadeira radicalidade possivel hoje é moral e ética; é importante afirmar que não ha estratégia de ações radicais que possa ser justificada num mundo onde cresce a barbarie social e ecologica e em que as instituições multilaterais balançam diante do extremismo;
Por outro lado os governos argumentam que não podem ficar fora do terrivel jogo global da economia e geopolitica da sociedade do seculo XXI; Se o Brasil ja é um ator considerado importante no cenario internacional, não é pelo seu PIB atual, mas pelas projeções de sua economia daqui a vinte anos. Os dados ja foram lançados, e os setores estratégicos da economia que difinirão o futuro do século - como energia, agua, alimentação, agricultura, sementes, informação e comunicação - estão sofrendo disputas sem precedentes e devem "consolidar-se" nos proximos dez anos; quer dizer grandes monopolios setoriais, dividos entre os paises que competem no jogo global;
Os grandes negocios das empresas realmente importantes hoje são fechados em pessoa pelos chefes de estado; O estilo Sarko não é uma novidade, mas somente uma caricatura do presidente-vendedor das empresas nacionais, onde a politica exterior é guiada explicitamente pelas vendas de aviões, armas, usinas nucleares, barragens e TGVs; Isto é claro torna-se um problema quando as empresas ja não são do estado mas privadas; O voluntarismo comercial dos chefes de estado acaba esfacelando o limite entre o publico e o privado, que novamente não é mais considerado necessario diante da urgencia da corrida empresarial; Nosso mundo esta ameaçado pelo hiperconsumo destes mesmos recursos que alimentam a corrida nas bolsas de valores e mercados financeiros.
Neste contexto a sociedade civil organisada naturalmente coloca-se como defensor de seus recursos naturais em relação aos grande projetos de infraestrutura, muitas vezes suscitando reações e oposições violentas do estado, como na Russia, Lybia, China e outros paises que estão longe de respeitar as regras basicas da democracia. A voz do cidadão não é frequentemente ouvida ; Hoje, em um contexto de cada vez maior concentração de poder, os governos devem reconhecer a participação dos movimentos sociais e organizações locais como parte da luta pelos direitos humanos, e não tentar aniquila-los ou ignora-los.
Mas da parte da sociedade civil, a verdadeira radicalidade possivel hoje é moral e ética; é importante afirmar que não ha estratégia de ações radicais que possa ser justificada num mundo onde cresce a barbarie social e ecologica e em que as instituições multilaterais balançam diante do extremismo;
dimanche 2 décembre 2007
Mandela Square, shopping e apartheid
Retorno da Africa do Sul; Johanesbourg, Soweto, onde realizamos a segunda assembleia do African Water Network; Ativistas de mais de 25 paises foram defender o fim do sistema "pre paid water meters", ou agua pre-paga, implantado em Soweto e em curso de ampliação;
Impresionante a permanencia do apartheid na vida na cidade; de uma lado bairros negros, na cidade mesmo voce caminha horas sem ver um so sinal de alguem branco; Os brancos estao em seus carros, do carro para o trabalho, do trabalho para o clube, do clube para o shoping...
Saindo de "hillbrow", bairro pobre perto do centro da cidade, pega se a van para "santown", onde tem o mandela square, com a estatua de seis metros do mitico lider politico; pega-se uma estrada para o norte onde estão os suburbios ricos; Pouco a pouco aparecem parques, mansoes, "golf greens", shoppings centers e hoteis de luxo; Chega-se a "Santown City", uma especie de complexo de três shoppings com hotéis e no centro a Mandela Square;
é triste ver que a estatua de Mandela fica bem no centro do templo do luxo e do consumo, bastião e prova de força da burguesia que administra as heranças dos colonos britanicos e holandeses;
O caso sulafricano ao mesmo tempo deixa claro que, para alem da democracia e da estabilidade, as alternativas aos problemas sociais passam por uma necesaria revisão no alinhamento com os cânones do "libre echange"; Jo'burg é a imagem mais extrema do apartheid economico, ou da armadilha da desigualdade que parece inerente ao sistema econômico mundial consolidado no pos guerra, desde Bretton Woods, que defintivamente fracassou na tarefa de repartir o bolo do crescimento economico;
Impresionante a permanencia do apartheid na vida na cidade; de uma lado bairros negros, na cidade mesmo voce caminha horas sem ver um so sinal de alguem branco; Os brancos estao em seus carros, do carro para o trabalho, do trabalho para o clube, do clube para o shoping...
Saindo de "hillbrow", bairro pobre perto do centro da cidade, pega se a van para "santown", onde tem o mandela square, com a estatua de seis metros do mitico lider politico; pega-se uma estrada para o norte onde estão os suburbios ricos; Pouco a pouco aparecem parques, mansoes, "golf greens", shoppings centers e hoteis de luxo; Chega-se a "Santown City", uma especie de complexo de três shoppings com hotéis e no centro a Mandela Square;
é triste ver que a estatua de Mandela fica bem no centro do templo do luxo e do consumo, bastião e prova de força da burguesia que administra as heranças dos colonos britanicos e holandeses;
O caso sulafricano ao mesmo tempo deixa claro que, para alem da democracia e da estabilidade, as alternativas aos problemas sociais passam por uma necesaria revisão no alinhamento com os cânones do "libre echange"; Jo'burg é a imagem mais extrema do apartheid economico, ou da armadilha da desigualdade que parece inerente ao sistema econômico mundial consolidado no pos guerra, desde Bretton Woods, que defintivamente fracassou na tarefa de repartir o bolo do crescimento economico;
jeudi 8 novembre 2007
Sarkozy l'américain
A viagem oficial de Sarkozy à Washington tem uma forte representação politica internacional, que exige uma leitura ampla, para além da questão do Irã e do oriente médio;
A declaração de amor e união de Sarko à presidencia americana revela, para além da citação de Elvis Presley, traços geopoliticos importantes:
Acordo para o bombardeio do irã, Apoio incondicionaol à Israel, Permanência do exercito francês no Afeganistão;
Sarko busca capitalizar alguma "ruptura" em relação a Chirac, mas a verdade é que a nivel interno não vem tendo resultados convincentes; investindo em uma reconciliação
com os EUA, apos três anos de divergências sobre a guerra do Iraque, o que salta aos olhos é o americanismo de superficie do proprio Sarkozy, que investe na parceria com um governo Bush que hoje tem dificuldades em manter-se credivel;
declaração do presidente francês, feliz em seu alinhamento com um governo descreditado:
"eu declaro solenemente hoje: a França segue engajada no afeganistão por quanto tempo for necessario, pois o que esta em jogo neste pais é o futuro da Aliança Atlântica;"
Le monde, 9/11/07, pag 1;
A declaração de amor e união de Sarko à presidencia americana revela, para além da citação de Elvis Presley, traços geopoliticos importantes:
Acordo para o bombardeio do irã, Apoio incondicionaol à Israel, Permanência do exercito francês no Afeganistão;
Sarko busca capitalizar alguma "ruptura" em relação a Chirac, mas a verdade é que a nivel interno não vem tendo resultados convincentes; investindo em uma reconciliação
com os EUA, apos três anos de divergências sobre a guerra do Iraque, o que salta aos olhos é o americanismo de superficie do proprio Sarkozy, que investe na parceria com um governo Bush que hoje tem dificuldades em manter-se credivel;
declaração do presidente francês, feliz em seu alinhamento com um governo descreditado:
"eu declaro solenemente hoje: a França segue engajada no afeganistão por quanto tempo for necessario, pois o que esta em jogo neste pais é o futuro da Aliança Atlântica;"
Le monde, 9/11/07, pag 1;
lundi 5 novembre 2007
Green Washing e "Darfour Washing"
Lavagem de verde; em português o termo não convence, mas na imprensa americana a expressão "green washing" ja foi adotada para descrever os métodos de comunicação ambiental das grandes empresas;
Aqui na França, vemos uma verdadeira nouvelle vague de Green Washing depois do "Grenelle de l'environnement"; EDF, a estatal francesa de energia, acaba de lançar uma grande campanha publicitaria, com cartazes em toda Paris, no metrô, nos jornais e nas revistas: Apresentam uma marca nova, "edf bleu ciel" ( edf azul céu ), que ninguem sabe se é uma campanha ecologica, um plano de financiamento ou uma filial de capital privado; Nada se diz entretanto sobre a ampliação da entrada de capital privado na empresa, da contrução de mais três termoeletricas a carvão no norte da França e do prosseguimento dos projetos de novos portos para importação de petroleo e gas russos.
Hoje todo setor industrial é confrontado com os novos imperativos ambientais, que felizmente (e tardiamente) começam a ser traduzidos em politicas publicas; Medidas que pressionam o setor produtivo a reduzir, mudar ou reconsiderar atividades produtivas segundo seu impacto ambiental;
Entretanto hoje o mundo empresarial parece mais inclinado a financiar grandes campanhas publicitarias, contratos com estrelas do esporte ou do cinema, do que investir em novas alternativas de produção e na redução de poluentes;
Mesmo se louvamos a necessaria responsabilidade social e ambiental do setor privado e buscamos acreditar em resultados positivos da hiper-exposição publicitaria, inumeros exemplos de "green washing" cada vez mais deixam a sensação de que o departamento de comunicação destas empresas hoje são as mesmas grandes agências de publicidade, que produzem campanhas de marketing ambiental sem qualquer relação com a pratica destas empresas; A elaboração dos conteudos e conceitos é terceirizada com as cada vez mais numerosas consultorias privadas, que operam verdadeiros "relooks" das empresas.
Enquanto isso Sarko desembarca triunfalmente do Tchad, onde foi pessoalmente buscar os jornalistas presos no "affaire de l'Arche de Noe", em mais uma custosa operação de comunicação desta vez ainda mais despropositada, pois não consegue esconder a omissão do estado francês e a incompetencia do Quai d'Orsay neste "affaire humaitaire";
Mas não é grave, no mundo globalizado de "TF1", parece que as verdadeiras informações não interessam mais; O que vale é a imagem Sarko descendo do avião com os heroicos jornalistas; O resto pode ser resolvido com uma boa consultoria, novos créditos e uma grande agencia de publicidade.
Aqui na França, vemos uma verdadeira nouvelle vague de Green Washing depois do "Grenelle de l'environnement"; EDF, a estatal francesa de energia, acaba de lançar uma grande campanha publicitaria, com cartazes em toda Paris, no metrô, nos jornais e nas revistas: Apresentam uma marca nova, "edf bleu ciel" ( edf azul céu ), que ninguem sabe se é uma campanha ecologica, um plano de financiamento ou uma filial de capital privado; Nada se diz entretanto sobre a ampliação da entrada de capital privado na empresa, da contrução de mais três termoeletricas a carvão no norte da França e do prosseguimento dos projetos de novos portos para importação de petroleo e gas russos.
Hoje todo setor industrial é confrontado com os novos imperativos ambientais, que felizmente (e tardiamente) começam a ser traduzidos em politicas publicas; Medidas que pressionam o setor produtivo a reduzir, mudar ou reconsiderar atividades produtivas segundo seu impacto ambiental;
Entretanto hoje o mundo empresarial parece mais inclinado a financiar grandes campanhas publicitarias, contratos com estrelas do esporte ou do cinema, do que investir em novas alternativas de produção e na redução de poluentes;
Mesmo se louvamos a necessaria responsabilidade social e ambiental do setor privado e buscamos acreditar em resultados positivos da hiper-exposição publicitaria, inumeros exemplos de "green washing" cada vez mais deixam a sensação de que o departamento de comunicação destas empresas hoje são as mesmas grandes agências de publicidade, que produzem campanhas de marketing ambiental sem qualquer relação com a pratica destas empresas; A elaboração dos conteudos e conceitos é terceirizada com as cada vez mais numerosas consultorias privadas, que operam verdadeiros "relooks" das empresas.
Enquanto isso Sarko desembarca triunfalmente do Tchad, onde foi pessoalmente buscar os jornalistas presos no "affaire de l'Arche de Noe", em mais uma custosa operação de comunicação desta vez ainda mais despropositada, pois não consegue esconder a omissão do estado francês e a incompetencia do Quai d'Orsay neste "affaire humaitaire";
Mas não é grave, no mundo globalizado de "TF1", parece que as verdadeiras informações não interessam mais; O que vale é a imagem Sarko descendo do avião com os heroicos jornalistas; O resto pode ser resolvido com uma boa consultoria, novos créditos e uma grande agencia de publicidade.
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