lundi 10 décembre 2007
Kadafi faz compras em Paris
O imperador do petroleo africano acertou sua viagem depois da mediatizada liberação das enfermeiras bulgaras, ato de conquista humanitario que Sarkozy conseguiu junto à Kadafi. Mas a razão da boa acolhida do chefe de estado libio deve-se tambem por interesse de alguns...clientes do apetite comercial do coronel; Airbus deve vender mais de vinte aviões, Areva vai descolar a compra de uma usina nuclear e Lagardere varios armementos militares. Parece que Kadafi sera o papai noel do ano para Dassault, comprando até o seu avião Rafale, caro e sofisticado e que até hoje esta esperando comprador.
Depois do alinhamento com o governo Bush, do silêncio sobre direitos humanos e sobre o Tibet na China, o que ja tinha lhe valido criticas, Sarkozy reafirma sua diplomacia dos negocios, para grande alegria do empresariado francês.
Governos e sociedade ecologica: paradoxos
Por outro lado os governos argumentam que não podem ficar fora do terrivel jogo global da economia e geopolitica da sociedade do seculo XXI; Se o Brasil ja é um ator considerado importante no cenario internacional, não é pelo seu PIB atual, mas pelas projeções de sua economia daqui a vinte anos. Os dados ja foram lançados, e os setores estratégicos da economia que difinirão o futuro do século - como energia, agua, alimentação, agricultura, sementes, informação e comunicação - estão sofrendo disputas sem precedentes e devem "consolidar-se" nos proximos dez anos; quer dizer grandes monopolios setoriais, dividos entre os paises que competem no jogo global;
Os grandes negocios das empresas realmente importantes hoje são fechados em pessoa pelos chefes de estado; O estilo Sarko não é uma novidade, mas somente uma caricatura do presidente-vendedor das empresas nacionais, onde a politica exterior é guiada explicitamente pelas vendas de aviões, armas, usinas nucleares, barragens e TGVs; Isto é claro torna-se um problema quando as empresas ja não são do estado mas privadas; O voluntarismo comercial dos chefes de estado acaba esfacelando o limite entre o publico e o privado, que novamente não é mais considerado necessario diante da urgencia da corrida empresarial; Nosso mundo esta ameaçado pelo hiperconsumo destes mesmos recursos que alimentam a corrida nas bolsas de valores e mercados financeiros.
Neste contexto a sociedade civil organisada naturalmente coloca-se como defensor de seus recursos naturais em relação aos grande projetos de infraestrutura, muitas vezes suscitando reações e oposições violentas do estado, como na Russia, Lybia, China e outros paises que estão longe de respeitar as regras basicas da democracia. A voz do cidadão não é frequentemente ouvida ; Hoje, em um contexto de cada vez maior concentração de poder, os governos devem reconhecer a participação dos movimentos sociais e organizações locais como parte da luta pelos direitos humanos, e não tentar aniquila-los ou ignora-los.
Mas da parte da sociedade civil, a verdadeira radicalidade possivel hoje é moral e ética; é importante afirmar que não ha estratégia de ações radicais que possa ser justificada num mundo onde cresce a barbarie social e ecologica e em que as instituições multilaterais balançam diante do extremismo;
dimanche 2 décembre 2007
Mandela Square, shopping e apartheid
Impresionante a permanencia do apartheid na vida na cidade; de uma lado bairros negros, na cidade mesmo voce caminha horas sem ver um so sinal de alguem branco; Os brancos estao em seus carros, do carro para o trabalho, do trabalho para o clube, do clube para o shoping...
Saindo de "hillbrow", bairro pobre perto do centro da cidade, pega se a van para "santown", onde tem o mandela square, com a estatua de seis metros do mitico lider politico; pega-se uma estrada para o norte onde estão os suburbios ricos; Pouco a pouco aparecem parques, mansoes, "golf greens", shoppings centers e hoteis de luxo; Chega-se a "Santown City", uma especie de complexo de três shoppings com hotéis e no centro a Mandela Square;
é triste ver que a estatua de Mandela fica bem no centro do templo do luxo e do consumo, bastião e prova de força da burguesia que administra as heranças dos colonos britanicos e holandeses;
O caso sulafricano ao mesmo tempo deixa claro que, para alem da democracia e da estabilidade, as alternativas aos problemas sociais passam por uma necesaria revisão no alinhamento com os cânones do "libre echange"; Jo'burg é a imagem mais extrema do apartheid economico, ou da armadilha da desigualdade que parece inerente ao sistema econômico mundial consolidado no pos guerra, desde Bretton Woods, que defintivamente fracassou na tarefa de repartir o bolo do crescimento economico;
jeudi 8 novembre 2007
Sarkozy l'américain
A declaração de amor e união de Sarko à presidencia americana revela, para além da citação de Elvis Presley, traços geopoliticos importantes:
Acordo para o bombardeio do irã, Apoio incondicionaol à Israel, Permanência do exercito francês no Afeganistão;
Sarko busca capitalizar alguma "ruptura" em relação a Chirac, mas a verdade é que a nivel interno não vem tendo resultados convincentes; investindo em uma reconciliação
com os EUA, apos três anos de divergências sobre a guerra do Iraque, o que salta aos olhos é o americanismo de superficie do proprio Sarkozy, que investe na parceria com um governo Bush que hoje tem dificuldades em manter-se credivel;
declaração do presidente francês, feliz em seu alinhamento com um governo descreditado:
"eu declaro solenemente hoje: a França segue engajada no afeganistão por quanto tempo for necessario, pois o que esta em jogo neste pais é o futuro da Aliança Atlântica;"
Le monde, 9/11/07, pag 1;
lundi 5 novembre 2007
Green Washing e "Darfour Washing"
Aqui na França, vemos uma verdadeira nouvelle vague de Green Washing depois do "Grenelle de l'environnement"; EDF, a estatal francesa de energia, acaba de lançar uma grande campanha publicitaria, com cartazes em toda Paris, no metrô, nos jornais e nas revistas: Apresentam uma marca nova, "edf bleu ciel" ( edf azul céu ), que ninguem sabe se é uma campanha ecologica, um plano de financiamento ou uma filial de capital privado; Nada se diz entretanto sobre a ampliação da entrada de capital privado na empresa, da contrução de mais três termoeletricas a carvão no norte da França e do prosseguimento dos projetos de novos portos para importação de petroleo e gas russos.
Hoje todo setor industrial é confrontado com os novos imperativos ambientais, que felizmente (e tardiamente) começam a ser traduzidos em politicas publicas; Medidas que pressionam o setor produtivo a reduzir, mudar ou reconsiderar atividades produtivas segundo seu impacto ambiental;
Entretanto hoje o mundo empresarial parece mais inclinado a financiar grandes campanhas publicitarias, contratos com estrelas do esporte ou do cinema, do que investir em novas alternativas de produção e na redução de poluentes;
Mesmo se louvamos a necessaria responsabilidade social e ambiental do setor privado e buscamos acreditar em resultados positivos da hiper-exposição publicitaria, inumeros exemplos de "green washing" cada vez mais deixam a sensação de que o departamento de comunicação destas empresas hoje são as mesmas grandes agências de publicidade, que produzem campanhas de marketing ambiental sem qualquer relação com a pratica destas empresas; A elaboração dos conteudos e conceitos é terceirizada com as cada vez mais numerosas consultorias privadas, que operam verdadeiros "relooks" das empresas.
Enquanto isso Sarko desembarca triunfalmente do Tchad, onde foi pessoalmente buscar os jornalistas presos no "affaire de l'Arche de Noe", em mais uma custosa operação de comunicação desta vez ainda mais despropositada, pois não consegue esconder a omissão do estado francês e a incompetencia do Quai d'Orsay neste "affaire humaitaire";
Mas não é grave, no mundo globalizado de "TF1", parece que as verdadeiras informações não interessam mais; O que vale é a imagem Sarko descendo do avião com os heroicos jornalistas; O resto pode ser resolvido com uma boa consultoria, novos créditos e uma grande agencia de publicidade.
Sertanistas, mateiros... e índios cineastas
Em nossa recente missão ao Acre, com Danielle Mitterrand e o professor Alain Ruellan, tivemos a oportunidade de encontrar - na bonita casa de Jorge Viana em Rio Branco - o sertanista José Carlos Meirelles, "mateiro" da Funai; Meirelles é um dos mais experientes e dedicados defensores dos índios isolados de nosso país; Vive a sete dias de barco da civilização, à beira do rio Envira; Defende sua escolha pela floresta com paixão, e suas ideias com bravura, quando critica a Funai por abandonar os mateiros em nome da "tecnologia";
Dois dias depois, voamos até o alto rio Juruá, onde passamos dois dias no centro Yoreka Atame, projeto de qualidade criado e gerenciado pelos índios Ashaninka; Ali podemos ver Bebito Ashaninka com sua inseparável filmadora; Bebito - cineasta formado pelo belo trabalho "Video nas Aldeias" - já ganhou prêmios internacionais e está realizando seu terceiro filme; Benki, seu irmão, coordena pelo celular a visita da ex primeira dama francesa; Chantsi, irmã mais nova, gerencia o escritorio da ONG Apitxwa, onde responde aos emails e trabalha com artesanato e cultura;
Quando retornamos a Paris não podemos deixar de refletir sobre a necessidade de se comunicar de maneira eficiente sobre o que se passa na Amazônia; Seja nas agências de cooperação, entre as ONGs, nas esquerdas, a visão do "pulmão do mundo" continua uma caricatura: Indios ameaçados pelo branco colonizador; Num vagão lotado do metrô parisiense, diante do triste espetaculo da depressão coletiva de milhões de "ricos" trabalhadores, penso no sorriso desses "pobres" indios, sem dinheiro, sem creche, sem casa de alvenaria...
Quando deixaremos de tentar reproduzir o modo de vida dos países do norte? Quando deixaremos de pensar nosso povo como um problema, mas como nossa maior riqueza? Quando teremos indicadores e uma visão de desenvolvimento para nosso povos florestais? E quando será que o governo acreano conseguirá comunicar para o mundo o belo conceito de Florestania?
Para quem quer conhecer algumas das mais importantes questões amazônicas, aconselho o excelente Blog do Altino Machado, jornalista acreano, que publicou nesta ultimo fim de semana um artigo do professor Meirelles, sertanista citado, sobre as amaeaças que pesam sobre ele, sua familia e a região do rio Envira.
jeudi 1 novembre 2007
O naufragio da "Arche de Zoé"
A tal ONG, criada ha tres anos por membros de uma associaçao de "jipeiros", não respeitou a legislação do Tchad, pais onde opera a base francesa e da ONU de apoio à resoluçao do conflito na região; Mesmo sabendo que o governo do presidente Idriss Deby não aceita a adoção, a ONG tinha contatos e apoio da base militar francesa, beneficiava de vôos militares e assim continuou a capitalizar fundos para sua operação; Cada familia francesa pagava antecipadamante de 3000 a 6000 euros para ter um "orfão do darfour"; O grupo prosseguiu e acertou o aluguel de um boing para trazer 104 crianças para Paris; A operação foi interrompida no aeroporto e os responsaveis devem ser condenados pela justiça do Tchad, que descobriu que as crianças não eram sudanesas mas tchadianas, e que quase todas tinham familias;
O Quai d'Orsay declara ter feito "todo o possivel para impedir a operação", mas admitiu que a conhecia perfeitamente; O chanceler, Bernard Kouchner, foi um dos grandes promotores das ações "humanitarias" no Darfour, conhece a região...mas até hoje nao apareceu para manifestar-se a respeito;
Para alem da critica à uma operação equivocada, deve-se colocar em questão a natureza mesmo das relações "humanitarias" entre França, Europa e o continente africano; e a assimilação da sociedade civil com as forças de ocupação. Ja na Costa do Marfim, ha dois anos, os conflitos contra a ocupação francesa haviam provocado criticas a Paris;
As ações de ONGs de desenvolvimento não são aventuras passageiras. Necessitam uma base de apoio local muito segura, onde as açoes não reflitam o pensamento do "ocupante", mas a necessidade das populações. Para alem de operações midiaticas e da distribuição de remedios e alimentos, a cooperação internacional deve busca criar os vinculos sociais e a saude ecologica necessarias para um desenvolvimento sustentavel do continente africano.
140% de aumento presidencial: se fosse no Brasil não passava
A experiencia recente com o aumento do salario do legislativo brasileiro - onde a resistência popular e a independência da midia foram capazes de arrefecer os apetites parlamentares - mostra que a boa saude da democracia depende do exercicio da cidadania e da liberdade da imprensa;
Na França os principais canais de televisão, radios e revistas, são propriedade de grandes grupos dirigidos por compadres de Sarkozy; situação que acaba criando uma imprensa não propriamente alinhada, mas visivelmente apadrinhada e sob controle, como testemunha o canal TF1, do grande amigo de Sarko, padrinho de sua filha, Martin Bouygues;
Nos salva aqui a presença do "Canard Enchainé", do "Monde Diplomatique", "Charlie Hebdo", e o fato de que os jornais Le Monde e Liberation, mesmo se parcialmente controlados por capital privado dos grande grupos, sofrem uma forte pressão sindical da parte das instituições internas dos jornalistas, o que assegura um minimo de independência;
Vale dizer que os dois jornais passaram por um positivo processo interno de renovação: Libé renasceu das cinzas pela mão de Rotschild, e agora esta com nova direção, novo formato e boas reações à nova linha editorial, de esquerda moderada, nas pistas dos socialistas mais liberais, como Segolène e Delanoë ; Le Monde passou pelo dificil mas necessario processo de saida de seu diretor Jean Marie Colombani, e de varios membros do Conselho de Administraçao proximos a ele, como o poderoso Alain Minc; O novo diretor, Eric Fottorino - jornalista, mais jovem e vindo da redação - imprimiu uma linha coerente e relativamente critica em relação ao governo;
Aqui, como no Brasil, a mobilização social - em seu sentido construtivo, propositivo - assim como a saude e a renovação do movimento sindical, são indispensaveis em nosso momento historico, onde esfacelam-se os limites entre o poder publico, o setor privado e os grupos de midia.
Como diz o Canard,
"La liberté de la presse ne s'use que quand on ne s'en sert pas"
"A liberdade da imprensa so desaparece quando ninguem faz uso dela"
lundi 29 octobre 2007
Com os Kogis em Albertville
"Até onde querem ir assim tão apressados?" , perguntavam os dois no metrô parisiense; "Porque tudo é tão bonito mas não se pode tomar banho no rio?", outra boa pergunta, na beira do rio Sena, vendo as aguas turvas do rio em Paris;
Sem duvida que ao apoiarmos a cultura desses dez mil herdeiros das mais antigas tradições andinas ajudamos a preservar esta memoria... mas hoje mais do que tudo são eles é que nos ensinam a memoria de uma relação de equilibrio entre o homem e sua terra;
samedi 27 octobre 2007
Show ecologista de Sarko no Grenelle
Sem duvida pela primeira vez a questão ecologica foi tema central em uma campanha presidencial francesa; Em rezão dos grandes movimentos internacionais, do relatorio do GIEC, e talvez pela presença de Nicolas Hulot, estrela da televisão e ambientalista cuja popularidade supera a de todos os candidatos de esquerda. Hulot recusou a candidatura mas impôs seu "Pacto Ecologico", que foi umas das bases para o Grenelle; O presidente teve sorte em seguida que Alain Juppé, nomeado ministro, deixou o governo depois de perder as eleições legislativas, abrindo espaço para Jean Louis Borloo, casado com uma jornalista da TV francesa e mais proximo da sociedade civil. Borloo tem méritos na fase final do Grenelle; soube conduzir o processo, trazer a imprensa para seu lado e neutralizar as criticas daqueles que foram excluidos do processo; Utilizou sua independencia politica para fazer o jogo do morde-e-assopra, anunciando moratorias e medidas que eram parcialmente desmentidas ou "esfriadas" pelos seus colegas governo;
Sem duvida temos que reconhecer o sucesso na forma proposta para os debates e para a restituição das propostas, e louvar o debate democratico estruturado sobre um pentagono de atores sociais: ONGs - Empresarios - Sindicatos - Governos locais - Governo federal;
Por outro lado não podemos deixar de exercer um minimo de exercicio critico, tentando escapar ao nobel-charme de Al Gore e de Waghari Mathai, ao ecologismo oportuno de José Manuel Barroso e à grandiloquência de Sarkozy; O ato final do Grenelle no palacio do Elisée, com a presença dos citados ganhadores do prêmio nobel e do presidente da comissão européia foi um grande suceso de critica; Isto não deve mascarar o fato de que Sarko anunciou medidas em sua maioria não muito inovadoras, e sobretudo sem cronograma nem orçamento;
Primeira Critica: A base das ONGs não estava representada democraticamente e o processo de definição dos grupos e dos membros não foi transparente; Por mais que apreciemos Nicolas Hulot e respeitemos a legitimidade das grandes organizações ecologistas internacionais, a verdade é que quatro ou cinco ONGs, todas de teor politico moderado, "pilotaram" a definição da maioria dos grupos de trabalho; Por sorte um grande forum de associações e governos locais havia sido realizado durante a campanha, com a criação de uma extensa rede, a "Alliance pour la planete", que desenvolveu propostas; Esta "Alliance" não somente foi a base do pacto de Hulot mas tambem possibilitou a inclusão de algumas outras sensiblidade da sociedade civil; O fato porem é que o processo foi capitaneado por um grupo de "naturalistas" - Greenpeace, WWF, France Nature Environemment, Ligue ROC - o que conduziu a uma certa negligência em relaçao a alguns temas de capital importancia, como Agua, Lixo, Agrocombustiveis, politica ambiental européia, politica industrial francesa no exterior, e outros;
Na analise da forma das propostas anunciadas, pode-se verificar a habilidade em anunciar politicamente medidas que ainda serão submetidas a aprovação parlamentar e que carecem de realismo no quesito financiamento;
Por exemplo, a tal "moratoria" sobre o milho trangênico vai durar até fevereiro, quando uma lei sera debatida e aprovada; Ora, todos sabem que durante do inverno não se planta, e que a "nova lei de transgênicos" dificilmente escapa das diretrizes de bruxelas e que, em trâmite no congresso, sera aubmetida a cortes por parte dos lobbies agricolas;
Na questão dos pesticidas: tudo parecia em rumo certo para um compromisso de reduzir em 50% o consumo de pesticidas até 2017; Na ultima hora, a poderosa Federação dos Produtores agricolas (FNSEA) conseguiu abolir o cronograma e ainda reforçar uma condicionalidade, "sob reserva de eficiencia dos metodos alternativos"; Na pratica...não ha calendario nem compromisso fixado;
Pode-se destacar positivamente o rico debate em torno ao "habitat ecologique", e a meta de até 2020 criar residencias produtoras de energia; Porem mais uma vez o consumidor vai pagar a conta; e os empresarios do setor de construçao civil serão os grandes beneficiados;
No debate sobre transportes, algumas perspectivas otimistas, como o "fret ferroviario" e a criação de taxas para caminhoes pesados; Porem os projetos mais ambiciosos - o transporte de conteiners sobre trilhos - são obras caras, neste momento em que o estado francês não têm dinheiro em caixa, mas ao contrario, deve fazer cortes no orçamento recentemente apresentado que previa um crescimento de até 2.5%, previsão que caiu para 1.8%;
Nosso ceticismo não é portanto infundado. Temos que felicitar o governo pela iniciativa, mas a condução das propostas vai depender da capacidade da sociedade civil de permanecer vigilante, e das ONGs envolvidas de não ceder às tentações institucionais e aos financiamentos privados neste momento de negociação.
mercredi 24 octobre 2007
Attali contra Attali
Eis que empossado por Sarkozy, o Sr. Attali dirige uma "comissão para a liberação do crescimento"; O crescimento de 5% tem que ser alcançado, diz o relatorio, que muito pouco integra o debate paralelo do "Grenelle de l'Environemment"; O "grenelle", grande forum do governo com algumas ONGs, empresas, sindicatos, termina afirmando a necessidade de se rever a politica econômica em função da necessidade de redução do consumo de energia, o que quer dizer relativizar a necessidade do crescimento economico para o bem estar dos povos. A comissão Atalli, ao contrario, pede a liberalização dos preços na distribuição, para baixar ainda mais os preços nos supermercados "hard discount" que estrangulam o comercio de proximidade, adeus ao charcutier, ao fromager, so ainda se salvando o boulanger...Atalli quer tambem construir dezenas de cidades modernas ecologicas; ideia genial, sobretudo para o estado frances que, endividado, com crescimento revisto em baixa, começa a fazer cortes drasticos em uma politica de austeridade imposta pelo cenario interno e por seu engajamento na União Europeia;
lundi 22 octobre 2007
Valeriodutos e fluidificadores
Não so de Brasil vivem os Valérios. Aqui tambem temos dutos e agora tambem "fluidificadores". Um grande escândalo estourou no seio da poderosa federação de empresas de mineração UIMM: simplesmente descobriu-se que o presidente fez 13 milhoes de euros em saques em diheiro vivo nos ultimos anos, soma não declarada, não contabilizada;
O ilustre Sr. Denis Gautier Sauvagnac, poderoso chefe da organização empresarial oriunda do historico "comite des forges", declarou tranquilamente que eram capitais destinados a "fluidificar" as relações sociais e patronais. "Fluidificadores de relações sociais", voila uma denominação conteporânea para o caixa dois e a corrupção;
"Imaginamos, vagamente ébrios, todos estes maços de notas, todo este liquido indo lubrificar a maquina social enferrujada "; ( Le monde, mardi 23 octobre, Laurent Greilsamer, page 2 )
e esta descrição que lembra nossos ilustres lobistas:
"é uma profissão; e é um papel aberto a todos. Porque não existe diploma de "fluidificador". O "fluidificador" se improvisa depois de descobrir seu talento, de desatar e reatar laços em qualquer situação"
O Rugby e o PIB francês
mas derriere tout ça, promissores e polêmicos negocios e "affaires politiques"...
A incrivel negociata que levou à TF1, do grupo de Martin Bouygues, "copain" de Sarkozy, a comprar os direitos de televisão por 110 milhoes de euros elevevam a copa do mundo de Rugby a um megaevento esportivo; O presidente, amigo pessoal do treinador da equipe nacional, Bernard Laporte, se engaja corpo e alma no mundial; e propõe a Laporte, tambem empresario e "socio" desta copa do mundo, um posto de secretario de estado para o esporte; merveilleux!
Começa o torneio com uma vitoria da Argentina diante de uma palida exibição francesa; Termina o torneio com outra vitoria, um massacre argentino diante de uma equipe de "bleus" sem comando nem estrategia. O treinador, programado para asumir triunfalmente suas funções publicas, assume nesta segunda desacreditado, derrotado, e o que é pior, sob investigaçoes de fraude fiscal entre suas inumeras empresas;
O esporte esta, na França, tradicionalmente sob a tutela do ministerio do saude, pelo que o polêmico treinador vai ser enquadrado pela ministra da Saude, Roseline Bachelot, que vem do governo Chirac e apresenta perfil mais antigo que moderno; O casamento promete boas paginas do "Canard", pois mesmo antes de assumir Laporte declarou que sente-se livre e que "se nao gostar, vai embora", sendo repreendido logo em seguida por Mme. Bachelot.
A expectativa presidencial era de que o mundial de Rugby "elevase o moral das familias francesas", relançando o consumo e dopando de até meio ponto o crescimento econômico tão esperado. Os resultados bem menos gloriosos vêm fechar este outubro negro do presidente Sarkozy, marcado pelo seu divorcio, pelo começo das greves, pela resistencia ao "teste ADN", pelo escândalo da EADS, pelos fracassos diplomaticos como recentemente diante de Poutine;
Sarko vai ter que achar outro remedio para dopar a economia francesa...
dimanche 21 octobre 2007
Começa uma guerra perigosa no oriente médio
Os Estados Unidos tem na Turquia um aliado historico, mas percebem que o conflito com os curdos é inevitavel; Ha risco inegavel da generalização dos conflitos na fronteira, sobretudo se o exercito turco enfrentar diretamente o exercito iraquiano;
A recente aprovação pelo parlamento americano da condenação do genocidio armenio - cometido pelos turcos no começo do século XX - acaba de trazer uma inesperada tensão entre Washinton e Ankara, que repatriou o embaixador em protesto contra a decisão do congresso dos EUA; O governo turco não admite ceder à esta questão do massacre do armênios, que prefere consagrar à historia;
A atual perspectiva de crise econômica nos EUA e Europa tambem nos lembram que ao longo da historia do ultimo seculo as guerras sempre vieram socorrer os periodos de estagnaçao do crescimento, os crashs da bolsa, etc; Sabem americanos ( e vejam so, tambem se interessam os franceses ) que uma eventual guerra ao Irã manteria aquecido o mercado de armamentos por alguns anos.
Voila o que a comissão Atalli esqueceu de revelar!
vendredi 12 octobre 2007
TV publica na França, no Brasil
Na França, a empresa estatal France Television detem metade dos canais abertos e produz grande parte dos conteudos de qualidade da TV francesa; Outro canal de qualidade, Arté, tambem é um produto de uma cooperaçao oficial Franco-alemã; Os grandes canais privados, TF1 e M6, têm programas de claro apelo comercial, privilegiando a audiencia sobre a qualidade; Na Inglaterra a BBC, o canal controlado pelo estado, tem grande importancia e uma crescente independencia politica em relaçao ao governo.
Os governos republicanos tem em seu mandato a defesa da Res Publica, o interesse geral, e parece normal que possam gerenciar uma emissora que - diferentemente da empresa privada - tera um mandato de informaçao e educação de interesse publico.
mardi 9 octobre 2007
Sarkozy en Moscou: bem vindo à realidade
Sarkozy chega com disposição de falar do Kosovo, do Irã e da Tchechênia; Sua tarefa complica-se pelo fato que Bernard Kouchner, atual chanceler, foi enviado especial da ONU no Kosovo e teve postura dura contra Moscou. O discurso de Sarko na ONU pedindo abertamente sanções contra o Irã foi friamente acolhido no Kremlin e tambem deve dificultar as negociações, pois sabe-se que Putin recusa-se a aceitar sanções e deve continuar a apoiar Mohamed El Baradei, presidente da OIEA que Washington quer ver pelas costas.
Belo exemplo do duro choque de realidade que vem sofrendo o presidente francês: Ao tentar demarcar-se de Chirac e afirmar-se na cena internacional, cede à tentações "populistas" que logo esfriam diante dos imperativos econômicos; Na Rússia, o problema para o chefe de estado é que pelo menos duas grandes empresas francesas, Total e EADS, estão negociando ataualmente parcerias, vendas de armas e contratos de concessão petrolifera.
Veremos o que trará Sarkozy na bagagem, mas o mais provável é que Putin consiga esfriar os ânimos do francês, colocando na balança diplomática as "convergências" industriais entre Russia e Europa;
Bievenu a la réalité!
lundi 8 octobre 2007
A politica das Bicicletas
14 mil bicicletas disponiveis na cidade, em centenas de "terminais" onde podem ser usadas e devolvidas livremente mediante uma simples taxa anual de 30 euros, sem custo nenhum para a prefeitura; Velib, realização da empresa JC Decaux para a prefeitura de Paris, é apresentado como grande e ecologico avanço contra a cultura do automovel, o "tout-voiture";
O projeto inaugurado este verão hoje provoca debates acalorados nos bares e bistrôs, suscita apoios apaixonados de ecologitas e revoltas coléricas de usuarios molhados de chuva; Em plena campanha regional, Velib virou tema central de disputas internas entre verdes e socialistas, com detalhes como a luta pela carteirinha numero 1 entre o prefeito Delanoë e seu secretario Denis Baupin, ambos candidatos à prefeitura em março de 2008;
Mais, en fait, na realidade o projeto, longe de ser uma unanimidade, tem alguns detalhes obscuros e varios defeitos praticos.
Primeiro fazemos a carteirinha. Atenção, se você não tiver cartão de crédito, fica dificil; Não vai poder pagar os extras; sim, claro, por que somente os primeiros trinta minutos são incluidos no pacote; Bom, mas tudo bem, pois a principio ha varios terminais por bairros; mas se por acaso você não encontrar um "terminal" onde devolver seu Velib...desolé! não tem alternativa a não ser rodar e procurar, pagando 1 euro por hora;
E se por acaso chover: todo mundo entrega seu velib, e se você chegar atrasado não encontra mais lugar e tem que ficar rodando na chuva até achar lugar;
Os motoristas tambem ja estão reclamando; as centenas de "bornes" ( terminais ) Velib foram construidas no lugar de vagas de carros e ainda mais estão atrapalhando o transito; turistas desavisados, contentes em seu Velib como se estivessem em Amsterdã, estão tornando-se motivo de piadas e palavrões dos automobilistas parisienses.
E para quem mora, como este humilde cronista, em um bairro alto de Paris? Neste affaire sou obrigado a declinar meu veraz testemunho do dia-a-dia: aqui no alto Belleville, os terminais estão sempre vazios! Ninguem pensou nisso, mas a verdade é que é muito pratico: descemos a colina de bike e na volta pegamos o metrô!
O problema é que (felizmente) o mundo não pode ser previsto entre num escritorio de Decaux;
Socorrem-nos varios fatores humanos, climaticos, geograficos, que teimam em existir apesar da perfeição das planilhas empresariais e da boa "performance" dos negocios milionarios de troca de espaços publicitarios por bicicletas.
Affaire EADS: se fosse no Brasil teria CPI e degola
O supremo tribunal de justiça acaba de indiciar 1.200 acionistas por delito de informação privilegiada;
Venderam suas ações justo antes da queda espetacular do titulo EADS na bolsa de Paris, apos alguns escandalos de corrupção e sobretudo com o anuncio dos atrasos de até tres anos na entrega do gigante dos avioes, o A380, a seus primeiros compradores; e o melhor: quem comprou essses titulos em queda livre? O banco do estado Caisse des depots ( CDC ), "autorizado" pelo estado francês; Thierry Breton, ministro da fazenda da época, nega ter agido em favor da operação.
quelle belle affaire...
Aqui na França tem as caricaturas dos "guignols", tem os artigos do "canard", que esperamos todas as quartas de manhã, mas no Brasil teria muito mais...teria CPI! Teriam Valerios e Delubios, fazendas e bois de renome, secretarias nuas e senadores fantasmas...
quel ennui en France!
Desmantelamentos de empresas: como as fusões, um grande negocio
"Diferentemente da maioria dos negócios de fusão e aquisição, onde as duas partes são interessadas na transação, os gestores do ABN são contra a venda para o consórcio."
Dizendo em bom português: Essa operação de compra do banco ABN é um desmantelamento, uma OPA (operaçao publica de "achat", compra) com objetivo de "depeçage" ( esquartejamento ), do grupo holandês; Uma oferta hostil, que, se conseguir seduzir os acionistas, pasa por cima da direção do grupo;
Mittal operou com sucesso sua OPA sobre Arcelor, apesar de incrivel pressão nacionalista surgida na França apos o anuncio da operação; Nesta historia o estado francês ficou, apos discursos inflamados desmentindo a operação, em posição realmente dificil: atacando o mercado em nome do "racionalismo", enquanto suas empresas adquirem e privatizam no exterior, revindicando moderna "competitividade";
As empresas hoje operam suas fusões baseadas no principio de "sinergias"; um outro nome bem muderno dado às reduções de efetivos e de custos, frequentemente aliadas com supressão gradual das garantias sociais (como saude e aposetadoria );
O banco Real, depois de fase holandesa agora vira Santander, inesperado banco espanhol que parte à conquista de mercados como nos bons tempos do novo mundo; Esperemos que as demissões não sejam impositivas e que o banco continue com seu compromisso com as politicas sociais e ambientais, alem de aceitar e contribuir para o esforço comum de redução de burocracias e taxas bancarias.
mercredi 3 octobre 2007
A era do hiper-presidencialismo II
A presonalidade do presidente acaba se impondo sobre um legislativo que agora deve ser substituido por um congresso renovado que vai escrever em tres meses a nova constituição do Equador.
A era do hiper-presidencialismo
O presidente enquanto isso multiplica investimentos, cria alianças, ocupa o espaço internacional;
Lula caminha a passos largos para o sucesso de sua PAC, e apesar de muito barulho na crise politica, não ha como negar que alguns ministros estão fazendo um trabalho de qualidade, como Dilma Roussef, Marina Silva ou Fernando Hadad, todos com perfil de Ministros-gestores, que gostam de trabalhar na sombra;
eles são cada vez mais recohecidos pela sua gestão, mesmo se no campo politico não tenham apoio além do presidencial;
Temporão na saude é mais uma promessa de boa gestão;
Gil esta querendo sair ha mais de um ano...mas ninguem quer que ele saia;
Lula sabe que deve preocupar-se com e execução do orçamento; cria regionalente o apoio politico necessario para lançar sua obras e o congresso acaba tornando-se cada vez mais um problema e um risco ao inves de preencher sua função propositiva.
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o PAC vai depender sobretudo da capacidade de execução dos ministerios e das estatais; dommage que alguns ministerios importantes se encontrem nas mãos de politicos de direita e sem capacidade de inovação;
lundi 1 octobre 2007
Amazônia Queima
Este ano o Brasil anunciou orgulhosamente a redução drastica do desmatamanto na Amazonia; Aplaudimos o trabalho da ministra Marina Silva e de sua competente equipe até chegar o mês de setembro...quando inicia-se a época das queimadas na região;
Estivemos no Acre, na primeira semana de setembro, celebrando o dia da amazonia: do avião esperavamos ver a mata, mas so havia fumaça. Neste setembro o INPE anuncia mas de 43 mil focos de queimadas;
Apesar do esforço, a tragédia continua. Acredito que o problema do desmatamento é demasiado importante e merece ser abordado para alem das fronteiras do preservacionismo e do ecologismo: porque o pequeno proprietario queima? Quando trataremos o problema do acesso ao mercado dos produtos da floresta?
Sarkozy corre, mas atras de que?
Quem diria; o presidente francês correndo em Nova York com a blusa da policia nacional de NY, oculos escuros e cara de gangster, o ministro Kouchner ao seu lado procurando um lugar onde esconder a contradição entre um passado socialista e um inevitavel atlantismo e apoio aos futuros bombardeios ao Irã;
Sarko começa a multiplicar gafes e manifestações de impaciência e nervosismo; Ja esta claro que nem a imprensa alemã nem a imprensa americana conseguem digerir o perfil agressivo e onipresente do impaciente chefe de estado francês;
Os ataques à Juncker, Trichet e à BCE lhe valeram desde ja uma posição de isolamento na UE em relaçao à Brown, Merkel, Prodi e Zapatero;
Esta claro que Nicolas sera rapidamente assimilado a uma caricatura e sera levado a participar da guerra ao Irã; A França provavelmente vai ver uma erosão de sua imagem no exterior, principalmente no mundo muçulmano, o que pode representar riscos de ataques terroristas;
Por outro lado a realidade econômica tende a ser implacavel no cenario inerno, puxada pela crisa dos EUA: explosão no deficit da balança comercial, aumento de 0,6 da taxa de desemprego, crescimento abaixo dos 2%...
Nicolas Sarkozy vai ter que acordar de seus sonhos de campanha...
Onde vai a esquerda francesa?
Periodo critico...na equerda francesa...mas talvez necesario;
o Partido Socialista dividido e talvez ferido de morte pelos conflitos e ataques recorrentes; Hollande isolado pelo pos-segolène, Jospin o aposentado parece manter-se em posiçao de ataque; Fabius aliando-se até com Delanoë para enfrentar o casal divorciado; DSK parece contente assumindo o FMI: por pelo menos cinco anos vai estar fora de jogo;
O partido Comunista parece dilacerado, Marie George Buffet tenta sobreviver pelo menos até as eleições municipais; Mas ja submersa pelos militantes muito mais "altermundialistas" que comunistas, pedindo novas lideranças, talvez um novo partido;
Não podemos deixar de mencionar que dividas de grande porte podem levar à venda da sede do PCF, obra magnifica de Niemeyer, simbolo e fortaleza dos comunistas; Vai ser muito dificil resguardar a identidade comunista se vende-se Colonel Fabien;
Os verdes parecem decididos a abandonar Delanoë; Denis Baupin, secretario de transportes, deve concorrer pela prefeitura, todavia sem grandes riscos de ameaçar a reeleição do prefeito, mas demarcando-se e revindicando os avanços urbanisticos de Paris, velibs e paris plages...
Por fim Besancenot que declarou a criação de um novo partido, antiliberal e revindicando total incompatibilidade com os socialistas; Talvez o jovem carteiro, pela sua personalidade, seja a aposta mais segura...
Desenha-se a configuração de duas ou nom maximo novas correntes/partidos: uma corrente de centro-esquerda, com os comunistas mais moderados, Hollande, Segolene, talvez até Bayrou...e um partido de esquerda, sob liderança de Besancenot, que pode atrair os altermundialistas, de Bové a Fabius, os verdes, passando por Chevenement, e comunistas como Clementine Autain, Braouzec, e quem sabe até socialistas como Melenchon e Montebourg;
O golpe sofrido pela eleição de Sarkozy não foi negligenciavel; mas com a triste perfomance do chefe de estado nos primeiros meses, reaviva-se a esperança das esquerdas...
Multa para a TAM: onde estava o poder publico?
Multa para a GOL. Agora multa para a TAM;
Mais um golpe nas finanças da companhia, desta vez vindo do PROCON, de quase um milhão de reais;
Esta e outras "sanções" se transformaram numa espécie de contrapartida da passividade do poder publico nesse affair da crise aérea; Agora estão se tocando que o espaço oferecido aos grupos da familia Rolim e do seu Nenê é absolutamente colossal: estas duas companhias terão um mercado limpo e crescente à sua frente, a aviação civil brasileira sendo um ativo seguro e com crescimento de até 25% ao ano, como demonstaram os balanços de ambas as empresas nos ultimos anos; Deixar o transporte aéreo brasileiro nas mãos de duas familias de investidores pode ser uma opção; Uma outra seria ter preservado a Varig do colapso;
O acidente em congonhas foi somente um resultado do crescimento sem controle dos voôs em Congonhas; Uma demanda superaquecida para um setor privado que parece embalado por um crescimento chinês, que pratica politicas de baixos salarios e impõe os voos do tipo "parador", com rotas longas paras os pilotos e esperas grandes para os pasageiros;
Onde estava o governo brasileiro nestes 10 anos em que estas empresas consolidaram-se sem que a ANAC e a Infraero conseguissem impor um minimo de obrigações para as rotas e cumprimento de horarios?
Para poder crescer 25 ou 30% ao ano, as aéreas privilegiaram uma politica agressiva de mercado, pouco estavel e pouco regulada pelo poder publico, que fez com que os atrasos e remanejamentos tenham virado rotina na vida do passageiro brasileiro;
Avanços da economia de mercado!