lundi 29 octobre 2007

Com os Kogis em Albertville

Acompanhamos hoje, com Eric Julian e Danielle Mitterrand, dois representantes das tribos amerindias Kogis em um evento em Albertville, nos alpes franceses; Os Kogis habitam a Sierra Nevada de Santa Marta, no nordeste da Colombia, e nunca tinham saido de suas montanhas; Vieram para uma homenajem a Gentil Cruz, o representante da ONG francesa Tchendukua, assassinado por paramilitares no ano 2005. A Sierra Nevada sofre com os conflitos e com as fumigações de pesticidas do Plano Colombia, e os indios cada vez esquecidos pelos poderes publicos locais vem pedir apoio às entidades internacionais;

"Até onde querem ir assim tão apressados?" , perguntavam os dois no metrô parisiense; "Porque tudo é tão bonito mas não se pode tomar banho no rio?", outra boa pergunta, na beira do rio Sena, vendo as aguas turvas do rio em Paris;

Sem duvida que ao apoiarmos a cultura desses dez mil herdeiros das mais antigas tradições andinas ajudamos a preservar esta memoria... mas hoje mais do que tudo são eles é que nos ensinam a memoria de uma relação de equilibrio entre o homem e sua terra;

samedi 27 octobre 2007

Show ecologista de Sarko no Grenelle

Esta semana concluiram-se em Paris os trabalhos do "Grenelle de l'environnement", forum multi-atores sobre meio ambiente convocado por Sarkozy em resposta às demandas de ecologistas durante a campanha.

Sem duvida pela primeira vez a questão ecologica foi tema central em uma campanha presidencial francesa; Em rezão dos grandes movimentos internacionais, do relatorio do GIEC, e talvez pela presença de Nicolas Hulot, estrela da televisão e ambientalista cuja popularidade supera a de todos os candidatos de esquerda. Hulot recusou a candidatura mas impôs seu "Pacto Ecologico", que foi umas das bases para o Grenelle; O presidente teve sorte em seguida que Alain Juppé, nomeado ministro, deixou o governo depois de perder as eleições legislativas, abrindo espaço para Jean Louis Borloo, casado com uma jornalista da TV francesa e mais proximo da sociedade civil. Borloo tem méritos na fase final do Grenelle; soube conduzir o processo, trazer a imprensa para seu lado e neutralizar as criticas daqueles que foram excluidos do processo; Utilizou sua independencia politica para fazer o jogo do morde-e-assopra, anunciando moratorias e medidas que eram parcialmente desmentidas ou "esfriadas" pelos seus colegas governo;

Sem duvida temos que reconhecer o sucesso na forma proposta para os debates e para a restituição das propostas, e louvar o debate democratico estruturado sobre um pentagono de atores sociais: ONGs - Empresarios - Sindicatos - Governos locais - Governo federal;

Por outro lado não podemos deixar de exercer um minimo de exercicio critico, tentando escapar ao nobel-charme de Al Gore e de Waghari Mathai, ao ecologismo oportuno de José Manuel Barroso e à grandiloquência de Sarkozy; O ato final do Grenelle no palacio do Elisée, com a presença dos citados ganhadores do prêmio nobel e do presidente da comissão européia foi um grande suceso de critica; Isto não deve mascarar o fato de que Sarko anunciou medidas em sua maioria não muito inovadoras, e sobretudo sem cronograma nem orçamento;

Primeira Critica: A base das ONGs não estava representada democraticamente e o processo de definição dos grupos e dos membros não foi transparente; Por mais que apreciemos Nicolas Hulot e respeitemos a legitimidade das grandes organizações ecologistas internacionais, a verdade é que quatro ou cinco ONGs, todas de teor politico moderado, "pilotaram" a definição da maioria dos grupos de trabalho; Por sorte um grande forum de associações e governos locais havia sido realizado durante a campanha, com a criação de uma extensa rede, a "Alliance pour la planete", que desenvolveu propostas; Esta "Alliance" não somente foi a base do pacto de Hulot mas tambem possibilitou a inclusão de algumas outras sensiblidade da sociedade civil; O fato porem é que o processo foi capitaneado por um grupo de "naturalistas" - Greenpeace, WWF, France Nature Environemment, Ligue ROC - o que conduziu a uma certa negligência em relaçao a alguns temas de capital importancia, como Agua, Lixo, Agrocombustiveis, politica ambiental européia, politica industrial francesa no exterior, e outros;

Na analise da forma das propostas anunciadas, pode-se verificar a habilidade em anunciar politicamente medidas que ainda serão submetidas a aprovação parlamentar e que carecem de realismo no quesito financiamento;

Por exemplo, a tal "moratoria" sobre o milho trangênico vai durar até fevereiro, quando uma lei sera debatida e aprovada; Ora, todos sabem que durante do inverno não se planta, e que a "nova lei de transgênicos" dificilmente escapa das diretrizes de bruxelas e que, em trâmite no congresso, sera aubmetida a cortes por parte dos lobbies agricolas;

Na questão dos pesticidas: tudo parecia em rumo certo para um compromisso de reduzir em 50% o consumo de pesticidas até 2017; Na ultima hora, a poderosa Federação dos Produtores agricolas (FNSEA) conseguiu abolir o cronograma e ainda reforçar uma condicionalidade, "sob reserva de eficiencia dos metodos alternativos"; Na pratica...não ha calendario nem compromisso fixado;

Pode-se destacar positivamente o rico debate em torno ao "habitat ecologique", e a meta de até 2020 criar residencias produtoras de energia; Porem mais uma vez o consumidor vai pagar a conta; e os empresarios do setor de construçao civil serão os grandes beneficiados;

No debate sobre transportes, algumas perspectivas otimistas, como o "fret ferroviario" e a criação de taxas para caminhoes pesados; Porem os projetos mais ambiciosos - o transporte de conteiners sobre trilhos - são obras caras, neste momento em que o estado francês não têm dinheiro em caixa, mas ao contrario, deve fazer cortes no orçamento recentemente apresentado que previa um crescimento de até 2.5%, previsão que caiu para 1.8%;

Nosso ceticismo não é portanto infundado. Temos que felicitar o governo pela iniciativa, mas a condução das propostas vai depender da capacidade da sociedade civil de permanecer vigilante, e das ONGs envolvidas de não ceder às tentações institucionais e aos financiamentos privados neste momento de negociação.

mercredi 24 octobre 2007

Attali contra Attali

Artigo de Hervé Kempf no LeMonde desta quarta; brilhante: a critica da comissão Atalli estruturada sobre um texto de 1973 do proprio Attali, na época inspirado pelo historico relatorio do Clube de Roma, "Os limites do crescimento". O jovem economista, convidado por François Mitterrand para um posto de acessor e conselheiro pessoal do presidente, exerceu com habilidade suas funções, trabalhando ideias que podem ser consideradas mais proximas da esquerda sociodemocrata;

Eis que empossado por Sarkozy, o Sr. Attali dirige uma "comissão para a liberação do crescimento"; O crescimento de 5% tem que ser alcançado, diz o relatorio, que muito pouco integra o debate paralelo do "Grenelle de l'Environemment"; O "grenelle", grande forum do governo com algumas ONGs, empresas, sindicatos, termina afirmando a necessidade de se rever a politica econômica em função da necessidade de redução do consumo de energia, o que quer dizer relativizar a necessidade do crescimento economico para o bem estar dos povos. A comissão Atalli, ao contrario, pede a liberalização dos preços na distribuição, para baixar ainda mais os preços nos supermercados "hard discount" que estrangulam o comercio de proximidade, adeus ao charcutier, ao fromager, so ainda se salvando o boulanger...Atalli quer tambem construir dezenas de cidades modernas ecologicas; ideia genial, sobretudo para o estado frances que, endividado, com crescimento revisto em baixa, começa a fazer cortes drasticos em uma politica de austeridade imposta pelo cenario interno e por seu engajamento na União Europeia;

lundi 22 octobre 2007

Valeriodutos e fluidificadores

Interessante o imaginario de dutos e fluidos que vem ilustrar os casos de corrupção e de financiamentos ocultos;

Não so de Brasil vivem os Valérios. Aqui tambem temos dutos e agora tambem "fluidificadores". Um grande escândalo estourou no seio da poderosa federação de empresas de mineração UIMM: simplesmente descobriu-se que o presidente fez 13 milhoes de euros em saques em diheiro vivo nos ultimos anos, soma não declarada, não contabilizada;

O ilustre Sr. Denis Gautier Sauvagnac, poderoso chefe da organização empresarial oriunda do historico "comite des forges", declarou tranquilamente que eram capitais destinados a "fluidificar" as relações sociais e patronais. "Fluidificadores de relações sociais", voila uma denominação conteporânea para o caixa dois e a corrupção;

"Imaginamos, vagamente ébrios, todos estes maços de notas, todo este liquido indo lubrificar a maquina social enferrujada "; ( Le monde, mardi 23 octobre, Laurent Greilsamer, page 2 )

e esta descrição que lembra nossos ilustres lobistas:

"é uma profissão; e é um papel aberto a todos. Porque não existe diploma de "fluidificador". O "fluidificador" se improvisa depois de descobrir seu talento, de desatar e reatar laços em qualquer situação"

O Rugby e o PIB francês

A febre do rugby tomou conta da França durante os meses de verão que antecediam o mundial; Marcas, anuncios, trens, hoteis, todos juntos derriere les bleus;

mas derriere tout ça, promissores e polêmicos negocios e "affaires politiques"...

A incrivel negociata que levou à TF1, do grupo de Martin Bouygues, "copain" de Sarkozy, a comprar os direitos de televisão por 110 milhoes de euros elevevam a copa do mundo de Rugby a um megaevento esportivo; O presidente, amigo pessoal do treinador da equipe nacional, Bernard Laporte, se engaja corpo e alma no mundial; e propõe a Laporte, tambem empresario e "socio" desta copa do mundo, um posto de secretario de estado para o esporte; merveilleux!

Começa o torneio com uma vitoria da Argentina diante de uma palida exibição francesa; Termina o torneio com outra vitoria, um massacre argentino diante de uma equipe de "bleus" sem comando nem estrategia. O treinador, programado para asumir triunfalmente suas funções publicas, assume nesta segunda desacreditado, derrotado, e o que é pior, sob investigaçoes de fraude fiscal entre suas inumeras empresas;

O esporte esta, na França, tradicionalmente sob a tutela do ministerio do saude, pelo que o polêmico treinador vai ser enquadrado pela ministra da Saude, Roseline Bachelot, que vem do governo Chirac e apresenta perfil mais antigo que moderno; O casamento promete boas paginas do "Canard", pois mesmo antes de assumir Laporte declarou que sente-se livre e que "se nao gostar, vai embora", sendo repreendido logo em seguida por Mme. Bachelot.

A expectativa presidencial era de que o mundial de Rugby "elevase o moral das familias francesas", relançando o consumo e dopando de até meio ponto o crescimento econômico tão esperado. Os resultados bem menos gloriosos vêm fechar este outubro negro do presidente Sarkozy, marcado pelo seu divorcio, pelo começo das greves, pela resistencia ao "teste ADN", pelo escândalo da EADS, pelos fracassos diplomaticos como recentemente diante de Poutine;

Sarko vai ter que achar outro remedio para dopar a economia francesa...

dimanche 21 octobre 2007

Começa uma guerra perigosa no oriente médio

O bombardeio turco aos separatistas curdos do norte do Iraque é bastante significativo; as ameaças de conflito na região estão fora de controle: situação de impasse no Iraque, a crise nuclear iraniana, a guerra do Libano e sua tensão atual com Israel;

Os Estados Unidos tem na Turquia um aliado historico, mas percebem que o conflito com os curdos é inevitavel; Ha risco inegavel da generalização dos conflitos na fronteira, sobretudo se o exercito turco enfrentar diretamente o exercito iraquiano;

A recente aprovação pelo parlamento americano da condenação do genocidio armenio - cometido pelos turcos no começo do século XX - acaba de trazer uma inesperada tensão entre Washinton e Ankara, que repatriou o embaixador em protesto contra a decisão do congresso dos EUA; O governo turco não admite ceder à esta questão do massacre do armênios, que prefere consagrar à historia;

A atual perspectiva de crise econômica nos EUA e Europa tambem nos lembram que ao longo da historia do ultimo seculo as guerras sempre vieram socorrer os periodos de estagnaçao do crescimento, os crashs da bolsa, etc; Sabem americanos ( e vejam so, tambem se interessam os franceses ) que uma eventual guerra ao Irã manteria aquecido o mercado de armamentos por alguns anos.

Voila o que a comissão Atalli esqueceu de revelar!

vendredi 12 octobre 2007

TV publica na França, no Brasil

Surpreende a campanha agressiva contra a criação da TV publica no Brasil;

Na França, a empresa estatal France Television detem metade dos canais abertos e produz grande parte dos conteudos de qualidade da TV francesa; Outro canal de qualidade, Arté, tambem é um produto de uma cooperaçao oficial Franco-alemã; Os grandes canais privados, TF1 e M6, têm programas de claro apelo comercial, privilegiando a audiencia sobre a qualidade; Na Inglaterra a BBC, o canal controlado pelo estado, tem grande importancia e uma crescente independencia politica em relaçao ao governo.

Os governos republicanos tem em seu mandato a defesa da Res Publica, o interesse geral, e parece normal que possam gerenciar uma emissora que - diferentemente da empresa privada - tera um mandato de informaçao e educação de interesse publico.

mardi 9 octobre 2007

Sarkozy en Moscou: bem vindo à realidade

Nesta terça o presidente francês chega a Moscou para sua primeira visita oficial à Russia; Difícil missão para o candidato que atacou Putin durante toda a campanha, buscando demarcar-se da gestão de Chirac, criticado por sua amizade e complacência com o presidente russo. A "troika" Chirac-Schroder-Putin funcionou durante mais de quatro anos, impedindo maiores crises diplomáticas porem mantendo um clima de cordialidade que impedia uma postura mais ofensiva em relação às grandes críticas diplomáticas da União européia contra Moscou: O massacre dos Thcetchenos, o Kosovo, o Irã, os embargos econômicos e energéticos contra Ukrânia e Georgia;

Sarkozy chega com disposição de falar do Kosovo, do Irã e da Tchechênia; Sua tarefa complica-se pelo fato que Bernard Kouchner, atual chanceler, foi enviado especial da ONU no Kosovo e teve postura dura contra Moscou. O discurso de Sarko na ONU pedindo abertamente sanções contra o Irã foi friamente acolhido no Kremlin e tambem deve dificultar as negociações, pois sabe-se que Putin recusa-se a aceitar sanções e deve continuar a apoiar Mohamed El Baradei, presidente da OIEA que Washington quer ver pelas costas.

Belo exemplo do duro choque de realidade que vem sofrendo o presidente francês: Ao tentar demarcar-se de Chirac e afirmar-se na cena internacional, cede à tentações "populistas" que logo esfriam diante dos imperativos econômicos; Na Rússia, o problema para o chefe de estado é que pelo menos duas grandes empresas francesas, Total e EADS, estão negociando ataualmente parcerias, vendas de armas e contratos de concessão petrolifera.

Veremos o que trará Sarkozy na bagagem, mas o mais provável é que Putin consiga esfriar os ânimos do francês, colocando na balança diplomática as "convergências" industriais entre Russia e Europa;

Bievenu a la réalité!

lundi 8 octobre 2007

A politica das Bicicletas

Até no Brasil ja se ouve falar do Velib, sistema de bicicletas publicas instalado em Paris;

14 mil bicicletas disponiveis na cidade, em centenas de "terminais" onde podem ser usadas e devolvidas livremente mediante uma simples taxa anual de 30 euros, sem custo nenhum para a prefeitura; Velib, realização da empresa JC Decaux para a prefeitura de Paris, é apresentado como grande e ecologico avanço contra a cultura do automovel, o "tout-voiture";

O projeto inaugurado este verão hoje provoca debates acalorados nos bares e bistrôs, suscita apoios apaixonados de ecologitas e revoltas coléricas de usuarios molhados de chuva; Em plena campanha regional, Velib virou tema central de disputas internas entre verdes e socialistas, com detalhes como a luta pela carteirinha numero 1 entre o prefeito Delanoë e seu secretario Denis Baupin, ambos candidatos à prefeitura em março de 2008;

Mais, en fait, na realidade o projeto, longe de ser uma unanimidade, tem alguns detalhes obscuros e varios defeitos praticos.

Primeiro fazemos a carteirinha. Atenção, se você não tiver cartão de crédito, fica dificil; Não vai poder pagar os extras; sim, claro, por que somente os primeiros trinta minutos são incluidos no pacote; Bom, mas tudo bem, pois a principio ha varios terminais por bairros; mas se por acaso você não encontrar um "terminal" onde devolver seu Velib...desolé! não tem alternativa a não ser rodar e procurar, pagando 1 euro por hora;

E se por acaso chover: todo mundo entrega seu velib, e se você chegar atrasado não encontra mais lugar e tem que ficar rodando na chuva até achar lugar;

Os motoristas tambem ja estão reclamando; as centenas de "bornes" ( terminais ) Velib foram construidas no lugar de vagas de carros e ainda mais estão atrapalhando o transito; turistas desavisados, contentes em seu Velib como se estivessem em Amsterdã, estão tornando-se motivo de piadas e palavrões dos automobilistas parisienses.

E para quem mora, como este humilde cronista, em um bairro alto de Paris? Neste affaire sou obrigado a declinar meu veraz testemunho do dia-a-dia: aqui no alto Belleville, os terminais estão sempre vazios! Ninguem pensou nisso, mas a verdade é que é muito pratico: descemos a colina de bike e na volta pegamos o metrô!

O problema é que (felizmente) o mundo não pode ser previsto entre num escritorio de Decaux;

Socorrem-nos varios fatores humanos, climaticos, geograficos, que teimam em existir apesar da perfeição das planilhas empresariais e da boa "performance" dos negocios milionarios de troca de espaços publicitarios por bicicletas.

Affaire EADS: se fosse no Brasil teria CPI e degola

Vejam que belo exemplo estão dando os competentes gestores da economia européia, de sua maior expressão industrial, a franco-alemã EADS, fabricante dos Airbus, de helicopteros, aviões de combate, armas e etc;

O supremo tribunal de justiça acaba de indiciar 1.200 acionistas por delito de informação privilegiada;

Venderam suas ações justo antes da queda espetacular do titulo EADS na bolsa de Paris, apos alguns escandalos de corrupção e sobretudo com o anuncio dos atrasos de até tres anos na entrega do gigante dos avioes, o A380, a seus primeiros compradores; e o melhor: quem comprou essses titulos em queda livre? O banco do estado Caisse des depots ( CDC ), "autorizado" pelo estado francês; Thierry Breton, ministro da fazenda da época, nega ter agido em favor da operação.

quelle belle affaire...

Aqui na França tem as caricaturas dos "guignols", tem os artigos do "canard", que esperamos todas as quartas de manhã, mas no Brasil teria muito mais...teria CPI! Teriam Valerios e Delubios, fazendas e bois de renome, secretarias nuas e senadores fantasmas...

quel ennui en France!

Desmantelamentos de empresas: como as fusões, um grande negocio

Deu na Folha hoje à tarde:

"Diferentemente da maioria dos negócios de fusão e aquisição, onde as duas partes são interessadas na transação, os gestores do ABN são contra a venda para o consórcio."

Dizendo em bom português: Essa operação de compra do banco ABN é um desmantelamento, uma OPA (operaçao publica de "achat", compra) com objetivo de "depeçage" ( esquartejamento ), do grupo holandês; Uma oferta hostil, que, se conseguir seduzir os acionistas, pasa por cima da direção do grupo;

Mittal operou com sucesso sua OPA sobre Arcelor, apesar de incrivel pressão nacionalista surgida na França apos o anuncio da operação; Nesta historia o estado francês ficou, apos discursos inflamados desmentindo a operação, em posição realmente dificil: atacando o mercado em nome do "racionalismo", enquanto suas empresas adquirem e privatizam no exterior, revindicando moderna "competitividade";

As empresas hoje operam suas fusões baseadas no principio de "sinergias"; um outro nome bem muderno dado às reduções de efetivos e de custos, frequentemente aliadas com supressão gradual das garantias sociais (como saude e aposetadoria );

O banco Real, depois de fase holandesa agora vira Santander, inesperado banco espanhol que parte à conquista de mercados como nos bons tempos do novo mundo; Esperemos que as demissões não sejam impositivas e que o banco continue com seu compromisso com as politicas sociais e ambientais, alem de aceitar e contribuir para o esforço comum de redução de burocracias e taxas bancarias.

mercredi 3 octobre 2007

A era do hiper-presidencialismo II

O presidente do Equador Rafael Corrêa acaba de ter uma ampla vitoria na eleições para a assembléia constituinte, conquistando mais de 50% das cadeiras; Quando eleito o partido de Correa não tinha praticamente bancada no congresso de deputados;

A presonalidade do presidente acaba se impondo sobre um legislativo que agora deve ser substituido por um congresso renovado que vai escrever em tres meses a nova constituição do Equador.

A era do hiper-presidencialismo

Lula esta compreendendo que a crise do legislativo não causa danos pesados ao executivo, mas ao contrario enfraquece a oposição. A crise Renan questiona o senado; e todos sabemos que a câmara ja sofre de um deficit de cofiança desde a crise do mensalão;

O presidente enquanto isso multiplica investimentos, cria alianças, ocupa o espaço internacional;

Lula caminha a passos largos para o sucesso de sua PAC, e apesar de muito barulho na crise politica, não ha como negar que alguns ministros estão fazendo um trabalho de qualidade, como Dilma Roussef, Marina Silva ou Fernando Hadad, todos com perfil de Ministros-gestores, que gostam de trabalhar na sombra;
eles são cada vez mais recohecidos pela sua gestão, mesmo se no campo politico não tenham apoio além do presidencial;

Temporão na saude é mais uma promessa de boa gestão;
Gil esta querendo sair ha mais de um ano...mas ninguem quer que ele saia;

Lula sabe que deve preocupar-se com e execução do orçamento; cria regionalente o apoio politico necessario para lançar sua obras e o congresso acaba tornando-se cada vez mais um problema e um risco ao inves de preencher sua função propositiva.

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o PAC vai depender sobretudo da capacidade de execução dos ministerios e das estatais; dommage que alguns ministerios importantes se encontrem nas mãos de politicos de direita e sem capacidade de inovação;

lundi 1 octobre 2007

Amazônia Queima

Este ano o Brasil anunciou orgulhosamente a redução drastica do desmatamanto na Amazonia; Aplaudimos o trabalho da ministra Marina Silva e de sua competente equipe até chegar o mês de setembro...quando inicia-se a época das queimadas na região;

Estivemos no Acre, na primeira semana de setembro, celebrando o dia da amazonia: do avião esperavamos ver a mata, mas so havia fumaça. Neste setembro o INPE anuncia mas de 43 mil focos de queimadas;

Apesar do esforço, a tragédia continua. Acredito que o problema do desmatamento é demasiado importante e merece ser abordado para alem das fronteiras do preservacionismo e do ecologismo: porque o pequeno proprietario queima? Quando trataremos o problema do acesso ao mercado dos produtos da floresta?

Sarkozy corre, mas atras de que?

Quem diria; o presidente francês correndo em Nova York com a blusa da policia nacional de NY, oculos escuros e cara de gangster, o ministro Kouchner ao seu lado procurando um lugar onde esconder a contradição entre um passado socialista e um inevitavel atlantismo e apoio aos futuros bombardeios ao Irã;

Sarko começa a multiplicar gafes e manifestações de impaciência e nervosismo; Ja esta claro que nem a imprensa alemã nem a imprensa americana conseguem digerir o perfil agressivo e onipresente do impaciente chefe de estado francês;

Os ataques à Juncker, Trichet e à BCE lhe valeram desde ja uma posição de isolamento na UE em relaçao à Brown, Merkel, Prodi e Zapatero;

Esta claro que Nicolas sera rapidamente assimilado a uma caricatura e sera levado a participar da guerra ao Irã; A França provavelmente vai ver uma erosão de sua imagem no exterior, principalmente no mundo muçulmano, o que pode representar riscos de ataques terroristas;

Por outro lado a realidade econômica tende a ser implacavel no cenario inerno, puxada pela crisa dos EUA: explosão no deficit da balança comercial, aumento de 0,6 da taxa de desemprego, crescimento abaixo dos 2%...

Nicolas Sarkozy vai ter que acordar de seus sonhos de campanha...

Onde vai a esquerda francesa?


Periodo critico...na equerda francesa...mas talvez necesario;

o Partido Socialista dividido e talvez ferido de morte pelos conflitos e ataques recorrentes; Hollande isolado pelo pos-segolène, Jospin o aposentado parece manter-se em posiçao de ataque; Fabius aliando-se até com Delanoë para enfrentar o casal divorciado; DSK parece contente assumindo o FMI: por pelo menos cinco anos vai estar fora de jogo;

O partido Comunista parece dilacerado, Marie George Buffet tenta sobreviver pelo menos até as eleições municipais; Mas ja submersa pelos militantes muito mais "altermundialistas" que comunistas, pedindo novas lideranças, talvez um novo partido;

Não podemos deixar de mencionar que dividas de grande porte podem levar à venda da sede do PCF, obra magnifica de Niemeyer, simbolo e fortaleza dos comunistas; Vai ser muito dificil resguardar a identidade comunista se vende-se Colonel Fabien;

Os verdes parecem decididos a abandonar Delanoë; Denis Baupin, secretario de transportes, deve concorrer pela prefeitura, todavia sem grandes riscos de ameaçar a reeleição do prefeito, mas demarcando-se e revindicando os avanços urbanisticos de Paris, velibs e paris plages...

Por fim Besancenot que declarou a criação de um novo partido, antiliberal e revindicando total incompatibilidade com os socialistas; Talvez o jovem carteiro, pela sua personalidade, seja a aposta mais segura...

Desenha-se a configuração de duas ou nom maximo novas correntes/partidos: uma corrente de centro-esquerda, com os comunistas mais moderados, Hollande, Segolene, talvez até Bayrou...e um partido de esquerda, sob liderança de Besancenot, que pode atrair os altermundialistas, de Bové a Fabius, os verdes, passando por Chevenement, e comunistas como Clementine Autain, Braouzec, e quem sabe até socialistas como Melenchon e Montebourg;

O golpe sofrido pela eleição de Sarkozy não foi negligenciavel; mas com a triste perfomance do chefe de estado nos primeiros meses, reaviva-se a esperança das esquerdas...

Multa para a TAM: onde estava o poder publico?

Multa para a GOL. Agora multa para a TAM;
Mais um golpe nas finanças da companhia, desta vez vindo do PROCON, de quase um milhão de reais;

Esta e outras "sanções" se transformaram numa espécie de contrapartida da passividade do poder publico nesse affair da crise aérea; Agora estão se tocando que o espaço oferecido aos grupos da familia Rolim e do seu Nenê é absolutamente colossal: estas duas companhias terão um mercado limpo e crescente à sua frente, a aviação civil brasileira sendo um ativo seguro e com crescimento de até 25% ao ano, como demonstaram os balanços de ambas as empresas nos ultimos anos; Deixar o transporte aéreo brasileiro nas mãos de duas familias de investidores pode ser uma opção; Uma outra seria ter preservado a Varig do colapso;

O acidente em congonhas foi somente um resultado do crescimento sem controle dos voôs em Congonhas; Uma demanda superaquecida para um setor privado que parece embalado por um crescimento chinês, que pratica politicas de baixos salarios e impõe os voos do tipo "parador", com rotas longas paras os pilotos e esperas grandes para os pasageiros;

Onde estava o governo brasileiro nestes 10 anos em que estas empresas consolidaram-se sem que a ANAC e a Infraero conseguissem impor um minimo de obrigações para as rotas e cumprimento de horarios?

Para poder crescer 25 ou 30% ao ano, as aéreas privilegiaram uma politica agressiva de mercado, pouco estavel e pouco regulada pelo poder publico, que fez com que os atrasos e remanejamentos tenham virado rotina na vida do passageiro brasileiro;

Avanços da economia de mercado!