lundi 10 décembre 2007

Kadafi faz compras em Paris

No dia em que se comemora a declaração dos direitos humanos, o governo Francês recebe em Paris o Coronel Mouamar Kadafi, soberano da Libia ha quase 40 anos, ditador acusado de diversos crimes e que ha mais de vinte anos não era recebido por um chefe de estado europeu.

O imperador do petroleo africano acertou sua viagem depois da mediatizada liberação das enfermeiras bulgaras, ato de conquista humanitario que Sarkozy conseguiu junto à Kadafi. Mas a razão da boa acolhida do chefe de estado libio deve-se tambem por interesse de alguns...clientes do apetite comercial do coronel; Airbus deve vender mais de vinte aviões, Areva vai descolar a compra de uma usina nuclear e Lagardere varios armementos militares. Parece que Kadafi sera o papai noel do ano para Dassault, comprando até o seu avião Rafale, caro e sofisticado e que até hoje esta esperando comprador.

Depois do alinhamento com o governo Bush, do silêncio sobre direitos humanos e sobre o Tibet na China, o que ja tinha lhe valido criticas, Sarkozy reafirma sua diplomacia dos negocios, para grande alegria do empresariado francês.

Governos e sociedade ecologica: paradoxos

Entre os governos e a sociedade Civil, um verdadeiro impasse cada vez mais dificil em relação à questão ecologica. Governos conservadores, com o de Greoge Bush, liberais, como o Inglês ou o Mexicano, mas tambem nacionalistas-liberais como o de Poutine, ou de esquerda, como Lula e Rafael Correa no Equador; Hoje todos sofrem crescentes pressões por seu passivo ambiental; O crescimento econômico - considerado essencial para a questão social - ameaça por outro lado suas florestas, terras, rios e nascentes, trazendo novos riscos e custos sociais. Os movimentos sociais em geral organisam-se para evitar o pior e tentar impor criterios locais, ligados à territorialidade, sobretudo em projetos de grandes impacto como minas, barragens, grandes monoculturas.

Por outro lado os governos argumentam que não podem ficar fora do terrivel jogo global da economia e geopolitica da sociedade do seculo XXI; Se o Brasil ja é um ator considerado importante no cenario internacional, não é pelo seu PIB atual, mas pelas projeções de sua economia daqui a vinte anos. Os dados ja foram lançados, e os setores estratégicos da economia que difinirão o futuro do século - como energia, agua, alimentação, agricultura, sementes, informação e comunicação - estão sofrendo disputas sem precedentes e devem "consolidar-se" nos proximos dez anos; quer dizer grandes monopolios setoriais, dividos entre os paises que competem no jogo global;

Os grandes negocios das empresas realmente importantes hoje são fechados em pessoa pelos chefes de estado; O estilo Sarko não é uma novidade, mas somente uma caricatura do presidente-vendedor das empresas nacionais, onde a politica exterior é guiada explicitamente pelas vendas de aviões, armas, usinas nucleares, barragens e TGVs; Isto é claro torna-se um problema quando as empresas ja não são do estado mas privadas; O voluntarismo comercial dos chefes de estado acaba esfacelando o limite entre o publico e o privado, que novamente não é mais considerado necessario diante da urgencia da corrida empresarial; Nosso mundo esta ameaçado pelo hiperconsumo destes mesmos recursos que alimentam a corrida nas bolsas de valores e mercados financeiros.

Neste contexto a sociedade civil organisada naturalmente coloca-se como defensor de seus recursos naturais em relação aos grande projetos de infraestrutura, muitas vezes suscitando reações e oposições violentas do estado, como na Russia, Lybia, China e outros paises que estão longe de respeitar as regras basicas da democracia. A voz do cidadão não é frequentemente ouvida ; Hoje, em um contexto de cada vez maior concentração de poder, os governos devem reconhecer a participação dos movimentos sociais e organizações locais como parte da luta pelos direitos humanos, e não tentar aniquila-los ou ignora-los.

Mas da parte da sociedade civil, a verdadeira radicalidade possivel hoje é moral e ética; é importante afirmar que não ha estratégia de ações radicais que possa ser justificada num mundo onde cresce a barbarie social e ecologica e em que as instituições multilaterais balançam diante do extremismo;

dimanche 2 décembre 2007

Mandela Square, shopping e apartheid

Retorno da Africa do Sul; Johanesbourg, Soweto, onde realizamos a segunda assembleia do African Water Network; Ativistas de mais de 25 paises foram defender o fim do sistema "pre paid water meters", ou agua pre-paga, implantado em Soweto e em curso de ampliação;

Impresionante a permanencia do apartheid na vida na cidade; de uma lado bairros negros, na cidade mesmo voce caminha horas sem ver um so sinal de alguem branco; Os brancos estao em seus carros, do carro para o trabalho, do trabalho para o clube, do clube para o shoping...

Saindo de "hillbrow", bairro pobre perto do centro da cidade, pega se a van para "santown", onde tem o mandela square, com a estatua de seis metros do mitico lider politico; pega-se uma estrada para o norte onde estão os suburbios ricos; Pouco a pouco aparecem parques, mansoes, "golf greens", shoppings centers e hoteis de luxo; Chega-se a "Santown City", uma especie de complexo de três shoppings com hotéis e no centro a Mandela Square;

é triste ver que a estatua de Mandela fica bem no centro do templo do luxo e do consumo, bastião e prova de força da burguesia que administra as heranças dos colonos britanicos e holandeses;

O caso sulafricano ao mesmo tempo deixa claro que, para alem da democracia e da estabilidade, as alternativas aos problemas sociais passam por uma necesaria revisão no alinhamento com os cânones do "libre echange"; Jo'burg é a imagem mais extrema do apartheid economico, ou da armadilha da desigualdade que parece inerente ao sistema econômico mundial consolidado no pos guerra, desde Bretton Woods, que defintivamente fracassou na tarefa de repartir o bolo do crescimento economico;