jeudi 28 février 2008

Para onde vai a riqueza?

Apesar dos crescentes sinais de alerta em relaçao à volatilidade e à irracionalidade dos mercados financeiros, a agenda pos-industrial do seculo XXI deve evitar a tentação de festejar o declinio do capitalismo; Mas pensar a crise atual como uma erosão progressiva de todo um paradigma de nossa civilização industrial de matriz urbana, da qual alias fazem parte tambem os regimes de inspiração marxistas.

Galeano nos lembra que ha pelo penos cinco séculos os regimes dominantes nos países europeus - hoje chamado neoliberais, outrora republicanos e monarquicos - se esmeram em conquistar territorios e tesouros nos outros continentes, subjugando suas populações e colonizando suas terras para extrair riquezas. As potências coloniais forjaram as filosofias republicanas e capitalistas ao mesmo tempo em que massacravam africanos, hindus, aztecas, incas e guaranis;

“No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos Bourbons, Felipe V estreou o trono assinando um contrato com seu primo, o rei da França, para que a compagnie de Guinée vendesse negros na America. Cada monarca ficava com 25% dos lucros.”

Um seculo depois a filosofia das luzes e do espirito europeu acompanhava o imperador frances em sua insensata tarefa de conquistar o mundo. Hegel testemunhou a passagem de Napoleão na Alemanha, e escreve no fabuloso prefacio de sua Fenomenologia do Espirito: “o espirito do absoluto do nosso tempo passou sob minha janela.”

No século XX o regime nazista floresceu como resposta violenta e racista à perda de poder economico que resultou da crise de 1929; A europa precisava de uma nova saida e para esta tarefa não faltaram admiradores e pensadores:

“ A Fundação Rockfeller financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi. A Coca Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possivel a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala dos cartões perfurados.” (E. Galeano)

De Hernan Cortez a Hitler, de Pizarro a Franco, passando por Napoleao, pela Rainha Vitoria, por Stalin e Mussolini, a lista é longa e está longe de ser prioridade de um ou outro regime politico. Face a uma abundancia de testemunhos historicos, podemos dificilmente contestar que o consumo das potências europeias e de seus colonos drenava e continua drenando grande parte da riqueza do planeta produzida pelos povos ditos “indigenas”.

Hoje com certeza estas potencias coloniais evoluiram, mas seus privilegios e os mercados oriundos do periodo colonial foram recuperados pelas suas grandes empresas, que continuam explorando ouro, petroleo, diamantes, minerais, cereais, e vendendo armas, tratores, remedios, industrias e produtos enlatados. No curso do século XX, às exploraçoes historicas de materias primas vieram acrescentar-se os novos mercados oriundos do progreso tecnologico e do desenvolvimento de serviços: telecomunicaçoes, infraestrutura, energia, alta tecnologia.

É justamente este “equilibrio” que se encontra ameaçado com o crescimento das economias dos paises do sul, que não somente cresceram mas mudaram radicalmente de posicionamento em relação aos paises do G8, revindicando mais espaço na ONU, bloqueando as negociações da OMC e criando novos eixos de cooperaçao entre os paises do sul.

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