lundi 5 novembre 2007

Green Washing e "Darfour Washing"

Lavagem de verde; em português o termo não convence, mas na imprensa americana a expressão "green washing" ja foi adotada para descrever os métodos de comunicação ambiental das grandes empresas;

Aqui na França, vemos uma verdadeira nouvelle vague de Green Washing depois do "Grenelle de l'environnement"; EDF, a estatal francesa de energia, acaba de lançar uma grande campanha publicitaria, com cartazes em toda Paris, no metrô, nos jornais e nas revistas: Apresentam uma marca nova, "edf bleu ciel" ( edf azul céu ), que ninguem sabe se é uma campanha ecologica, um plano de financiamento ou uma filial de capital privado; Nada se diz entretanto sobre a ampliação da entrada de capital privado na empresa, da contrução de mais três termoeletricas a carvão no norte da França e do prosseguimento dos projetos de novos portos para importação de petroleo e gas russos.

Hoje todo setor industrial é confrontado com os novos imperativos ambientais, que felizmente (e tardiamente) começam a ser traduzidos em politicas publicas; Medidas que pressionam o setor produtivo a reduzir, mudar ou reconsiderar atividades produtivas segundo seu impacto ambiental;

Entretanto hoje o mundo empresarial parece mais inclinado a financiar grandes campanhas publicitarias, contratos com estrelas do esporte ou do cinema, do que investir em novas alternativas de produção e na redução de poluentes;

Mesmo se louvamos a necessaria responsabilidade social e ambiental do setor privado e buscamos acreditar em resultados positivos da hiper-exposição publicitaria, inumeros exemplos de "green washing" cada vez mais deixam a sensação de que o departamento de comunicação destas empresas hoje são as mesmas grandes agências de publicidade, que produzem campanhas de marketing ambiental sem qualquer relação com a pratica destas empresas; A elaboração dos conteudos e conceitos é terceirizada com as cada vez mais numerosas consultorias privadas, que operam verdadeiros "relooks" das empresas.

Enquanto isso Sarko desembarca triunfalmente do Tchad, onde foi pessoalmente buscar os jornalistas presos no "affaire de l'Arche de Noe", em mais uma custosa operação de comunicação desta vez ainda mais despropositada, pois não consegue esconder a omissão do estado francês e a incompetencia do Quai d'Orsay neste "affaire humaitaire";

Mas não é grave, no mundo globalizado de "TF1", parece que as verdadeiras informações não interessam mais; O que vale é a imagem Sarko descendo do avião com os heroicos jornalistas; O resto pode ser resolvido com uma boa consultoria, novos créditos e uma grande agencia de publicidade.

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