jeudi 1 novembre 2007

140% de aumento presidencial: se fosse no Brasil não passava

Se fosse no Brasil não passaria desapercebido o aumento salarial de 140% autoconcedido pelo presidente Sarkozy;

A experiencia recente com o aumento do salario do legislativo brasileiro - onde a resistência popular e a independência da midia foram capazes de arrefecer os apetites parlamentares - mostra que a boa saude da democracia depende do exercicio da cidadania e da liberdade da imprensa;

Na França os principais canais de televisão, radios e revistas, são propriedade de grandes grupos dirigidos por compadres de Sarkozy; situação que acaba criando uma imprensa não propriamente alinhada, mas visivelmente apadrinhada e sob controle, como testemunha o canal TF1, do grande amigo de Sarko, padrinho de sua filha, Martin Bouygues;

Nos salva aqui a presença do "Canard Enchainé", do "Monde Diplomatique", "Charlie Hebdo", e o fato de que os jornais Le Monde e Liberation, mesmo se parcialmente controlados por capital privado dos grande grupos, sofrem uma forte pressão sindical da parte das instituições internas dos jornalistas, o que assegura um minimo de independência;

Vale dizer que os dois jornais passaram por um positivo processo interno de renovação: Libé renasceu das cinzas pela mão de Rotschild, e agora esta com nova direção, novo formato e boas reações à nova linha editorial, de esquerda moderada, nas pistas dos socialistas mais liberais, como Segolène e Delanoë ; Le Monde passou pelo dificil mas necessario processo de saida de seu diretor Jean Marie Colombani, e de varios membros do Conselho de Administraçao proximos a ele, como o poderoso Alain Minc; O novo diretor, Eric Fottorino - jornalista, mais jovem e vindo da redação - imprimiu uma linha coerente e relativamente critica em relação ao governo;

Aqui, como no Brasil, a mobilização social - em seu sentido construtivo, propositivo - assim como a saude e a renovação do movimento sindical, são indispensaveis em nosso momento historico, onde esfacelam-se os limites entre o poder publico, o setor privado e os grupos de midia.

Como diz o Canard,
"La liberté de la presse ne s'use que quand on ne s'en sert pas"

"A liberdade da imprensa so desaparece quando ninguem faz uso dela"

Aucun commentaire: