jeudi 1 novembre 2007

O naufragio da "Arche de Zoé"

O incrivel caso da Arca de Zoe, associação francesa que montou uma operação de adoção em massa de crianças do Darfour, região em conflito da africa central, mostra confusões e limites da ação humanitaria e caritativa; Mas o caso tambem revela uma total incapacidade do estado francês de tratar a questão; Gerenciar projetos de desenvolvimento, inserção social ou de preservação do meio ambiente não é como fazer uma campanha, uma viagem, ou fechar um negocio de venda de armas.

A tal ONG, criada ha tres anos por membros de uma associaçao de "jipeiros", não respeitou a legislação do Tchad, pais onde opera a base francesa e da ONU de apoio à resoluçao do conflito na região; Mesmo sabendo que o governo do presidente Idriss Deby não aceita a adoção, a ONG tinha contatos e apoio da base militar francesa, beneficiava de vôos militares e assim continuou a capitalizar fundos para sua operação; Cada familia francesa pagava antecipadamante de 3000 a 6000 euros para ter um "orfão do darfour"; O grupo prosseguiu e acertou o aluguel de um boing para trazer 104 crianças para Paris; A operação foi interrompida no aeroporto e os responsaveis devem ser condenados pela justiça do Tchad, que descobriu que as crianças não eram sudanesas mas tchadianas, e que quase todas tinham familias;

O Quai d'Orsay declara ter feito "todo o possivel para impedir a operação", mas admitiu que a conhecia perfeitamente; O chanceler, Bernard Kouchner, foi um dos grandes promotores das ações "humanitarias" no Darfour, conhece a região...mas até hoje nao apareceu para manifestar-se a respeito;

Para alem da critica à uma operação equivocada, deve-se colocar em questão a natureza mesmo das relações "humanitarias" entre França, Europa e o continente africano; e a assimilação da sociedade civil com as forças de ocupação. Ja na Costa do Marfim, ha dois anos, os conflitos contra a ocupação francesa haviam provocado criticas a Paris;

As ações de ONGs de desenvolvimento não são aventuras passageiras. Necessitam uma base de apoio local muito segura, onde as açoes não reflitam o pensamento do "ocupante", mas a necessidade das populações. Para alem de operações midiaticas e da distribuição de remedios e alimentos, a cooperação internacional deve busca criar os vinculos sociais e a saude ecologica necessarias para um desenvolvimento sustentavel do continente africano.

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